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Mostrando postagens de julho, 2023

Pedra, papel, tesoura - Parte 4: "Quebrando Regras"

Daniel parou em frente ao portão da faculdade e antes que eu pudesse apresentar meu documento de estudante na portaria, logo me surpreendeu: - Nada de aula hoje, vem comigo! - Disse, me puxando. - O que tá fazendo? Eu tenho que entrar! - Você disse que queria se divertir e não fez isso ainda. Anda, vamos! - A gente pode fazer isso no fim de semana, quando não tem aula. - Viu só? É disso que eu tô falando! Desse pensamento de nunca quebrar as regras, de sempre bancar a certinha.  - Eu não banco a certinha! - Está fazendo isso agora. - É que... - Me responde, quantas vezes você matou aula pra fazer alguma coisa, qualquer coisa que seja? - Ta bem, vamos! Mas tenho que estar em casa às onze. - Me rendo e entro no carro. - Para onde vamos?  - Para o céu. - É só o que ele responde. ♡ - Mais um lugar novo? - Pergunto, quando chegamos. - Vai me agradecer por estar aqui.  Saimos do carro. - Uau! - Digo, admirada. - O que achou?  - É mesmo lindo!  Eu não sabia ao certo on...

Um desabafo sobre o bendito jardineiro

Estava assistindo ao vídeo de uma atriz que contava sobre o como ela orou a Deus antes de pedir por seu marido, e o curioso disso tudo foi ela, três meses depois, ter conhecido um homem com as características específicas da pessoa por quem pediu.  Já aprendi que devemos saber exatamente o que queremos antes de pedir algo a Deus. Porque está aí o risco da oração: se realizar. Não me lembro de ter tido esse momento com Deus algum dia, de parar para pensar em como quero que seja a pessoa que vai estar ao meu lado para sempe, mas talvez inconscientemente, eu deva ter planejado tudo nos mínimos detalhes: altura, barba, seu gosto por queijo, que ame a Deus mais que a mim e me ame tendo como exemplo como Deus me amou e ama. É complexo, admito. Eu levo muito a sério quando profecias são liberadas por pessoas munidas de autoridade espiritual. E, há alguns meses, meu pastor, ainda que divertido, liberou a seguinte sentença sobre mim: "Você, ainda esse ano, irá conhecer alguém por quem irá s...

Pedra, papel, tesoura - Parte 3: "Refúgio"

Algumas semanas depois do episódio com o hospital, fiquei sem notícias do Daniel, até que tive uma visita inesperada: - Oi! - Daniel! - Hoje é você que precisa me salvar. - O que aconteceu? - Aqui não. - Tá, eu só vou pegar minha bolsa. Daniel dirigiu sério por todo o caminho e eu não me atrevi a perguntar nada até que ele quisesse falar, sequer questionei o fato de estarmos indo sabia lá Deus pra onde. Quando finalmente parou o carro, estávamos em um lugar ao qual nunca fomos antes. - Que lugar é esse? - Perguntei. - O meu refúgio. É pra onde eu venho quando preciso ficar sozinho. - Bom, dessa vez você não está. - Digo, lhe acolhendo. Sem perder tempo e sem que eu precisasse indagá-lo sobre qualquer coisa, ele já logo resolveu tocar no assunto: - Sabe, já teve a sensação de que sua vida é um desperdício?  - O que? Como assim?  - Eu não sei até hoje se estou fazendo a coisa certa. - Disse ele, enquanto tirava algo do carro. - Cerveja?  - Não, eu não bebo. - Recusei. - Ah ...

Pedra, papel, tesoura - Parte 2 - "Anjo?"

Não era difícil eu me sentir mal com essas coisas, mas nesse dia, logo após o almoço, senti um desconforto enorme, achei que fosse soltar tudo. Saí para fora, para tomar um ar, e lá estava ele: - Você não tá bem, né? - É, talvez tenha sido algo que eu comi. - Você é alérgica?  - Se eu for, estou descobrindo agora. - Meu Deus! Pegue seus documentos, eu vou pegar o carro! - O que? Calma. - Você pode estar assim por causa de uma alergia e pode até morrer se não cuidar disso.  - Não é isso, é só um desconforto. - Nós vamos para o hospital agora!  - Não precisa de tudo isso, Daniel. - Não foi uma sugestão! Daniel entrou comigo na minha casa e pegou os meus documentos, eu estava sozinha e ele ficou apavorado com medo daquilo ser uma crise alérgica. Fomos juntos ao hospital naquele dia e, por sorte, não foi nada grave, mas descobri que meu corpo reage mal a certos alimentos. E que, graças ao Daniel, eu descobri antes que isso se tornasse algo mais sério. - Parece que está sempre...

Pedra, papel, tesoura - Parte 1: "Uma carruagem para a princesa"

Como a solução para o problemão que eu havia acabado de arrumar, ele apareceu: - Vamos? - Daniel? - Pergunto, incrédula. - O que faz aqui? - Uma princesa precisa de uma carruagem, não acha? - Brincou. Nossa história começa aí. Pra ser mais exata, começa há nove anos, quando Daniel e eu ainda éramos crianças, quer dizer, eu era criança, devia ter meus seis, sete ou oito anos quando nos tornamos amigos. Ele e o irmão, Henrique, foram as primeiras pessoas com quem, conscientemente, pude me socializar desde que meus pais e eu nos mudamos para cá. Ele e Henrique tinham pouca diferença de idade entre si mas, comparado à mim, onze anos nos distanciavam. Calculando rapidamente, dá para dizer que Daniel já tinha dezenove quando eu completei oito.  Haviam outros amigos, como os irmãos André e Gustavo, que vez ou outra me chamavam para a casa deles pra gente tomar banho de mangueira. Nossas mães eram amigas e eu sempre ficava com eles quando não havia ninguém em casa.  Minha convivência ...

O Jardineiro - Parte 2: "Boa Sorte!"

Eu precisava atualizar o blog com os últimos acontecimentos.  A história sobre o Jardineiro (sim, é assim que vamos chamá-lo, afinal, esse é o único relato sobre o qual deixo claro a pessoalidade, que não escondo que se trata de algo vivenciado por mim), para que possam se situar, ocorre com uma pessoa muito próxima a mim. Essa  proximimidade em nada tem a ver com termos intimidade, até porque não temos nenhuma, me refiro à distância mesmo, nós moramos no mesmo bairro. Ok curiosos, isso é tudo que vão saber sobre ele!  Desde que contei aqui sobre o episódio com as flores, nos vimos algumas poucas vezes em situações um tanto engraçadas. Teve a vez que ele tentou conversar sobre minha cachorrinha, dizendo que ela tinha muita sorte, e quando o questionei pelo quê, ele disse que era pela frequência com que ela saía. E antes que eu pudesse ir embora, continuou dizendo: "E em boa companhia, né?". É isso mesmo, ele falou sobre o fato de um cachorro ter mais sorte que ele.  ...