Já aprendi que devemos saber exatamente o que queremos antes de pedir algo a Deus. Porque está aí o risco da oração: se realizar.
Não me lembro de ter tido esse momento com Deus algum dia, de parar para pensar em como quero que seja a pessoa que vai estar ao meu lado para sempe, mas talvez inconscientemente, eu deva ter planejado tudo nos mínimos detalhes: altura, barba, seu gosto por queijo, que ame a Deus mais que a mim e me ame tendo como exemplo como Deus me amou e ama. É complexo, admito.
Eu levo muito a sério quando profecias são liberadas por pessoas munidas de autoridade espiritual. E, há alguns meses, meu pastor, ainda que divertido, liberou a seguinte sentença sobre mim: "Você, ainda esse ano, irá conhecer alguém por quem irá se apaixonar e vai tirar do coração todos os traumas e medos que um dia já teve em se relacionar." Eu apenas ri. Porque me conhecendo como conheço, jamais procuraria por isso, ainda mais porque não sinto que isso vá acontecer até que eu me cure por completo de tudo o que me impede de estar com alguém.
E vejamos como estou hoje. Hoje, hoje mesmo, neste exato momento em que escrevo, eu só consigo pensar em escrever sobre uma pessoa. Eu me sinto enfeitiçada, ou espiritualmente ligada a ele. Há muitas coisas acontecendo, e dentre elas, uma dúvida que também incomodou o coração dele, foi o que ele me disse há poucos dias, que estava curioso para saber o porquê de Deus ter me colocado no caminho dele ou ele no meu, que inclusive acha que sabe o motivo, mas ainda não irá me falar. Ele plantou essa sementinha aqui, e agora sigo com a mesma dúvida, e tentando encaixar todas as coisas que, de alguma forma, nos deixa envolvidos.
Depois de tanto tempo solteira, de ter vivido um luto interminável pelo único homem que amei nessa vida e dispensando qualquer pessoa que mencionasse querer um compromisso comigo, fiz uma promessa a mim mesma, e já falei sobre ela com vocês: só me envolveria emocionalmente com alguém de novo quando eu sentisse algo mais profundo, quando tivesse certeza sobre meus sentimentos.
Eu me lembro exatamente como me sentia com o cara que eu amava, lembro de todas as sensações, do frio na barriga ao vê-lo chegando no ambiente, do quão boba eu ia dormir pensando nas coisas que ele falava sobre nós, do como eu queria que minha primeira vez tivesse sido com ele e o tanto que planejamos isso. Lembro das risadas, da graça em ouví-lo cantando no carro, do arrepio do primeiro beijo e de tudo o mais que amá-lo me conferia.
Eu queria sentir isso de novo, queria aquela emoção de paquerar alguém e querer que os dias passem depressa pra nos vermos, queria que meu coração acelerasse por alguém de novo, queria não só as sensações, mas ter certeza de que os sentimentos são verdadeiros.
Sinto que isso está, aos poucos, acontecendo mais uma vez. E eu odeio admitir que sinto algo por alguém, mas eu não estou conseguindo me defender disso. É como se Deus me abrisse os olhos para algo que sempre esteve tão perto e eu nunca percebi. Talvez eu tenha ficado temporariamente cega de maneira proposital, talvez porque o tempo exato das coisas acontecerem fosse o agora, e tão somente agora.
Ainda que eu me sinta despreparada e incapaz de fazer qualquer coisa por alguém, talvez não seja sobre mim, talvez o plano de Deus ultrapasse os meus sentimentos. Certa vez ouvi que temos tanto de Deus em nós, que até mesmo as escolhas conscientes que fazemos são reflexo da vontade dEle. Seu poder é tão grandioso que não temos controle nem mesmo sobre nossas vontades. E o que chamamos de involuntário, é só a manifestação, a materialização da vontade de Deus na nossa vida.
Eu devo voltar logo pra falar sobre ele, estou com a cabeça cheia.

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