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Pedra, papel, tesoura - MIGUEL - Parte 5: "Na coleira"


Miguel parecia ter acumulado uma vontade incontrolável de fazer o que estava prestes a fazer. Em um impulso aparentemente motivado, se aproximou de mim, segurou minhas pernas e me colocou em cima da mesa. Eu resistia, mas ele me beijava intenso e não me dava sequer um segundo para pedir que ele parasse. 

Eu queria poder dizer que estava bem e que estava gostando de estar com ele, mas ainda estava machucada com o que soube sobre Daniel, meu pensamento estava longe e eu não conseguia estar totalmente presente naquele momento. A verdade é que eu só pensava no quanto gostaria de estar vivendo aquilo com ele.

Miguel era incansável e parecia não desistir de tentar me conquistar. E eu confesso que não fazia esforço algum para isso dar certo. Com o tempo, ele notou minha frieza e isso era motivo o bastante para que ele brigasse diariamente comigo.

Eu passava muito tempo com os meus amigos antes de termos algo, e ele estava disposto a tirar isso de mim. Frases como: "Eu não vou deixar uma mulher como você sair sem mim" passaram a ser frequentes. Eu já não conseguia ter uma vida social sem ele me repelir o tempo todo. Eu estudava e tinha que trocar o caminho ao chegar em casa, ou ele me seguia e me questionava pra onde eu iria sem ele. Eu não podia escutar áudios perto dele sem ouvir um debochado: "A conversa está boa com o Júlio?". Isso sem contar as inúmeras vezes em que ele propositalmente inseria Daniel em suas paranoias, me acusando de não transar com ele por estar esperando seu irmão voltar.

Aquilo estava ficando insustentável e eu já havia tentado me afastar por diversas vezes. Sem sucesso. Miguel passou a se aproximar dos meus amigos e a levá-los em sua casa. Eu não sabia que tipo de conversa eles tinham, mas aparentemente, eu era pintada como uma grande vilã que o tratava mal e precisava mudar meu comportamento para que nada de pior acontecesse comigo. Sim, ele me ameaçou para um casal de amigos.

Houve um tempo em que eu estava com ele por medo do que ele poderia falar de mim para as pessoas. Mentir sobre nossas intimidades, dizer que eu agia como uma menina mimada de quinze anos, que tinha que ser firme comigo e "apertar a coleira". Tudo isso ele disse. Que ele não ficava com ninguém que não o satisfizesse na cama, que era inadmissível pra ele estar com alguém que lhe negasse sexo a hora que ele quisesse, dando a entender que tínhamos uma vida sexual ativa. Bem, isso não era verdade.

Quando soube desses absurdos, o questionei e ele obviamente negou tudo. Mas me lembrei das (inúmeras) vezes em que ele tentou algo por meio de pressão psicológica, dizendo que me amava, que ele tinha que ser meu primeiro e que ninguém me trataria como ele. Quando as palavras não funcionavam, sua estratégia mudava e ele se tornava agressivo e impaciente. Essa era a forma dele "apertar a coleira".

Mesmo depois de romper o que havia entre nós, ainda foi difícil mantê-lo longe de mim. Miguel usava sua influência com minha família para frequentar a minha casa e me espionar quando eu estava na piscina. Levava presentes de aniversário, presentes aleatórios e até joias. Tentava me vigiar o tempo todo, de todas as formas possíveis. Eu já não podia andar sozinha na rua sem que ele me cercasse de moto e me inpedisse de passar.

Dizem que o remédio para um louco é um louco e meio. E que bom que as coisas funcionam assim. Meu amigo, que também é meu vizinho, notou o que estava acontecendo. Eu não precisei fazer absolutamente nada. Foi um susto que ele precisava tomar.

Eu achei que ficaria livre do Miguel depois disso, mas só achei...

(*Continua...) 

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