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Pedra, papel, tesoura - Parte 4: "Quebrando Regras"

Daniel parou em frente ao portão da faculdade e antes que eu pudesse apresentar meu documento de estudante na portaria, logo me surpreendeu:

- Nada de aula hoje, vem comigo! - Disse, me puxando.

- O que tá fazendo? Eu tenho que entrar!

- Você disse que queria se divertir e não fez isso ainda. Anda, vamos!

- A gente pode fazer isso no fim de semana, quando não tem aula.

- Viu só? É disso que eu tô falando! Desse pensamento de nunca quebrar as regras, de sempre bancar a certinha. 

- Eu não banco a certinha!

- Está fazendo isso agora.

- É que...

- Me responde, quantas vezes você matou aula pra fazer alguma coisa, qualquer coisa que seja?

- Ta bem, vamos! Mas tenho que estar em casa às onze. - Me rendo e entro no carro. - Para onde vamos? 

- Para o céu. - É só o que ele responde.

- Mais um lugar novo? - Pergunto, quando chegamos.

- Vai me agradecer por estar aqui. 

Saimos do carro.

- Uau! - Digo, admirada.

- O que achou? 

- É mesmo lindo! 

Eu não sabia ao certo onde estávamos, mas sabia que não estávamos na nossa cidade. Eu nunca havia estado naquele lugar, era como se o céu fosse tão baixo a ponto de esticarmos as mãos e facilmente pegarmos uma estrela.

- Sabia que ia gostar. 

Eu fiquei deslumbrada. Se eu tivesse uma lista, esta estaria, com toda certeza entre as coisas mais bonitas que já vi. 

- Você já veio aqui antes? - Perguntei.

- Estamos a alguns metros de uma fábrica, ninguém vem aqui a não ser os homens que trabalham lá.

- E como descobriu esse lugar?

- Andando sozinho.

Eu parei por alguns instantes, e me perguntei quando é que o Daniel se tornou essa pessoa, sensível e que para em uma estrada pra ficar admirando estrelas. Não dá pra imaginá-lo fazendo isso, não mesmo.

- Por que não pega uma? - Disse Daniel enquanto chegava de surpresa por trás e tentava me levantar.

- Não! - Me soltei, divertida.

Apesar de ele parecer estar bem, nós dois sabíamos que ainda havia muita coisa para superar, principalmente o fato de que ele não podia mais estar com os filhos o tanto que gostaria. Sabíamos, inclusive, que toda essa ideia de se afastar da cidade era pra se distrair da realidade que vinha se tornado sua vida.

Como quem, sem intenção, toca na ferida, pergunto:

- Você está bem? 

- Poderia estar melhor, mas sim. Mas não se preocupe, não te trouxe aqui pra isso.

- Daniel, você não precisa se fazer de forte pra mim, pode falar sobre qualquer coisa comigo e sabe disso. 

- Qualquer coisa? 

- Sim, o que quiser.

- Então talvez eu deva te contar algo.


*continua...



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