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Pedra, papel, tesoura - MIGUEL - Parte 3: "Exposta"



- Não tem que ir só porque eu cheguei.

- Eu já estava mesmo indo embora, com licença. - Disse, tentando passar.

- Espera Maya, eu quero conversar com você. - Falou, sem sair da porta de acesso.

- Miguel, eu só quero ir pra casa. A gente conversa outra hora.

- Não, você não vai. Não dessa vez! - Disse Miguel, ao apertar meu braço.

- O que acha que está fazendo? Me deixa passar! 

- Você não vai me ignorar de novo, Maya! Você tem que me escutar!

- Miguel, não...

- Eu sou completamente louco por você, Maya. E eu não suporto mais o seu desprezo. O que há de errado comigo? Por que você faz isso?

- Eu não tenho essa intenção com você, Miguel. Me desculpa.

- Você não tem que fazer nada, é só ficar quietinha e eu faço o resto. - Disse, enquanto tentava me beijar.

- Miguel, para! - E empurrei-o.

Inconformado com minha recusa, Miguel me encurralou na parede e gritava:

- Me responde, Maya! O que o Daniel tem que fez você se interessar por ele?

- Do que você tá falando?

- Não se faça de desentendida comigo! Achou que eu não soubesse?

- Miguel, eu não quero falar sobre isso.

- Eu sei que está se perguntando como eu sei. E adivinha! Quem me contou foi o próprio! Aquele por quem você e minha mãe choram, de quem sentem falta. Ele me contou tudo, Maya!

- Está blefando!

- É? Então me diz, de que outra forma eu saberia disso? Acaso vocês contaram pra alguém? Quem, além de vocês dois, sabia disso?

- Não, ele não pode ter feito isso...

- Ele fez! E acredite, eu sei muito mais do que você imagina. Sei que já estavam juntos enquanto ele ainda namorava a Vanessa.

- Eles tinham brigado, não estavam mais juntos!

- Confia tanto nele assim? Ele mentiu pra você! Ele ia pra cama com ela enquanto te convencia a perder a virgindade com ele.

- Já chega! Eu não vou mais ficar aqui ouvindo isso! - E tento ir embora.

- Maya, eu sei que é difícil pra você ouvir todas essas coisas, mas confia em mim, tudo isso é verdade. Eu só quero que você abra os olhos e perceba quem ele realmente é. Eu não achei certo quando ele me contou, mas a gente não se conhecia e eu não podia fazer nada por você. Agora é diferente, eu estou por perto e vou proteger você.

- Eu não preciso que ninguém me proteja! - Digo, sem conseguir disfarçar o choro.

- Olha só pra você... Está se fazendo de forte, mas não tem que carregar o mundo sozinha. Me deixa cuidar de você.

- Cuidar? Você acabou de tentar me beijar à força! Chama isso de cuidado?

- Eu sei, eu não devia ter feito isso. É que... minha vontade de você é tanta, que faço as coisas sem pensar. Me desculpa.

- Eu preciso ir pra casa.

- Tudo bem, eu entendo que esteja chateada e que precisa de tempo pra assimilar tudo isso. Mas, por favor, eu só te peço que confie em mim. Daniel nunca foi a pessoa que você e que todos pensam.

(Continua...)

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