- Não tem que ir só porque eu cheguei.
- Eu já estava mesmo indo embora, com licença. - Disse, tentando passar.
- Espera Maya, eu quero conversar com você. - Falou, sem sair da porta de acesso.
- Miguel, eu só quero ir pra casa. A gente conversa outra hora.
- Não, você não vai. Não dessa vez! - Disse Miguel, ao apertar meu braço.
- O que acha que está fazendo? Me deixa passar!
- Você não vai me ignorar de novo, Maya! Você tem que me escutar!
- Miguel, não...
- Eu sou completamente louco por você, Maya. E eu não suporto mais o seu desprezo. O que há de errado comigo? Por que você faz isso?
- Eu não tenho essa intenção com você, Miguel. Me desculpa.
- Você não tem que fazer nada, é só ficar quietinha e eu faço o resto. - Disse, enquanto tentava me beijar.
- Miguel, para! - E empurrei-o.
Inconformado com minha recusa, Miguel me encurralou na parede e gritava:
- Me responde, Maya! O que o Daniel tem que fez você se interessar por ele?
- Do que você tá falando?
- Não se faça de desentendida comigo! Achou que eu não soubesse?
- Miguel, eu não quero falar sobre isso.
- Eu sei que está se perguntando como eu sei. E adivinha! Quem me contou foi o próprio! Aquele por quem você e minha mãe choram, de quem sentem falta. Ele me contou tudo, Maya!
- Está blefando!
- É? Então me diz, de que outra forma eu saberia disso? Acaso vocês contaram pra alguém? Quem, além de vocês dois, sabia disso?
- Não, ele não pode ter feito isso...
- Ele fez! E acredite, eu sei muito mais do que você imagina. Sei que já estavam juntos enquanto ele ainda namorava a Vanessa.
- Eles tinham brigado, não estavam mais juntos!
- Confia tanto nele assim? Ele mentiu pra você! Ele ia pra cama com ela enquanto te convencia a perder a virgindade com ele.
- Já chega! Eu não vou mais ficar aqui ouvindo isso! - E tento ir embora.
- Maya, eu sei que é difícil pra você ouvir todas essas coisas, mas confia em mim, tudo isso é verdade. Eu só quero que você abra os olhos e perceba quem ele realmente é. Eu não achei certo quando ele me contou, mas a gente não se conhecia e eu não podia fazer nada por você. Agora é diferente, eu estou por perto e vou proteger você.
- Eu não preciso que ninguém me proteja! - Digo, sem conseguir disfarçar o choro.
- Olha só pra você... Está se fazendo de forte, mas não tem que carregar o mundo sozinha. Me deixa cuidar de você.
- Cuidar? Você acabou de tentar me beijar à força! Chama isso de cuidado?
- Eu sei, eu não devia ter feito isso. É que... minha vontade de você é tanta, que faço as coisas sem pensar. Me desculpa.
- Eu preciso ir pra casa.
- Tudo bem, eu entendo que esteja chateada e que precisa de tempo pra assimilar tudo isso. Mas, por favor, eu só te peço que confie em mim. Daniel nunca foi a pessoa que você e que todos pensam.
(Continua...)

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