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Pedra, papel, tesoura - MIGUEL - Parte 2: "O patinho feio"


Ok, a atitude do Miguel não foi nada legal, é verdade. Mas acho que fui um pouco dura com ele. Ele ficou tão chateado com suas investidas não correspondidas, que passou os dias após o ocorrido tentando ser gentil e consertar as coisas.

Passei um bom tempo sem frequentar sua casa, não queria alimentar nele a ideia de que eu fazia isso para vê-lo. Ele notou minha ausência e foi até minha casa me procurar:

- Miguel? - Me surpreendi ao atender o portão. - O que faz aqui?

- Oi Maya. É que você não apareceu mais e eu me senti muito culpado por isso. Eu sei que você disse que estava tudo bem entre a gente, mas eu vim me certificar de que realmente me desculpou por eu ter feito aquilo.

- Eu já disse Miguel, está tudo bem. Já passou.

- Então por que não foi mais à minha casa? Está com medo de mim? 

- Claro que não.

- Vamos, comprei seu suco favorito e minha mãe está te esperando para o café!

- Ela te mandou vir aqui? - Pergunto, desconfiada.

- Maya, eu vim porque senti sua falta. Vamos.

- Não sei se é uma boa ideia.

- Você não confia em mim?

- Não é isso.

- Vem. Eu te dou a minha palavra de que eu vou te respeitar.

- Tá bem, me dê cinco minutos.

Na casa de Miguel, o clima era amistoso entre nós. Tomamos café com sua mãe, e esticamos a noite vendo um filme juntos. Laura se deitou cedo e continuamos na sala Miguel e eu.

Tudo correu bem, a não ser pelo fato de Miguel ficar o tempo todo querendo acariciar meus cabelos, atitude que me deixou bastante incomodada. Mas, no geral, não tentou nada que me desrespeitasse, como prometeu.

Mantivemos nossa amizade por um longo período, até Miguel revelar, finalmente, sua intenção. Me colocar contra o Daniel, de alguma forma. Isso ficou claro pra mim quando, na data de aniversário do irmão, Laura e eu nos juntamos para relembrar as coisas marcantes sobre ele, enquanto Miguel passava por nós duas e nos olhava com ar de desaprovação. Fui até ele para entender o que estava acontecendo:

- Está tudo bem? 

- Sim. - Friamente respondeu.

- Eu diria que você está incomodado com alguma coisa.

- Quer mesmo saber?

- Sim, por favor.

- Eu tô cansado de, todo ano, vocês duas ficarem se lamentando pelo Daniel. Ele não merece que vocês façam isso! - E saiu.

- Miguel, espera. - Tentei conversar, mas fui ignorada.

No dia seguinte, procurei por ele e pudemos conversar sobre a atitude que ele teve na noite passada. Foi uma conversa muito esclarecedora, e Miguel me revelou muita coisa sobre sua vida. Me contou que tinha a sensação de não ter sido amado por Laura por, a seu ver, ser filho do primeiro marido que ela teve, marido esse de quem ela se separou porque estava apaixonada por outro homem. Disse que, com esse homem, ela teve Henrique e Daniel, e que ele ficou com seu pai.

Com o tempo, pude conhecer melhor o Miguel e entender que o que ele sentia, na verdade era uma mágoa muito grande de Laura e ciúmes pelo tratamento que Daniel recebia por, na opinião dele, ser o irmão mais novo.

Mas toda essa proximidade com Miguel, fez com que ele se sentisse à vontade para tentar algo comigo novamente. Não havia uma vez sequer que estivéssemos juntos que ele não dizia coisas como o quanto ele gostava da minha companhia e de como eu não me arrependeria de dar uma chance à nós dois.

Em uma dessas vezes, Miguel ultrapassou todos os limites. Eu estava há tempos evitando um contato com ele e só ía em sua casa para ver Laura quando ele não estava. Mas nesse dia não consegui evitá-lo. 

Eu estava na cozinha com Laura, quando ela me pediu para esperá-la tomar um banho. Quando vi Miguel chegando, decidi que era melhor ir embora, mas fui impedida por ele, que parou na porta por onde eu iria passar:

- Não tem que ir só porque eu cheguei.

- Eu já estava indo embora, com licença. - Disse, tentando passar.

- Espera Maya, eu quero conversar com você. - Falou, sem sair da porta de acesso.

- Miguel, eu só quero ir pra casa. A gente conversa outra hora.

- Não, você não vai. Não dessa vez! - Disse Miguel, ao apertar o meu braço. 

(Continua...)



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