- Parece que a gente sempre precisa de uma festa pra se encontrar. - Disse Daniel, alguns meses passados daquele incidente com sua ex (agora atual) namorada.
Eu não mencionei, mas desde que soubemos da gravidez de Vanessa, as coisas mudaram drasticamente entre nós. O fato de sermos amigos de longa data não era suficiente para me fazer sentir segura sobre estar perto dele nessas circunstâncias, ainda mais depois do que rolou entre a gente.
Sempre foi óbvio que as coisas não teriam a mínima chance de funcionar. Somos dois estranhos, vivemos em mundos absolutamente distintos. Gosto de pensar que esse filho foi uma benção para nos poupar de tentar fazer algo nitidamente improvável.
- Isso quer dizer que agora só vou te ver no natal? - Brinco.
- Espero estar aqui até lá. - Disse ele, na tentativa de parecer engraçado, mas exalando tristeza no olhar.
- Eu também espero.
- Como estão as coisas? - Pergunta.
- Eu estou viva. Isso basta.
- Usando minha fala, é? - Diz, aos risos.
- Você estava certo sobre aproveitar cada momento. Quero fazer disso minha filosofia de vida.
- É o que fará quando a festa terminar?
- É o que estou fazendo neste exato momento. - E me retiro.
Estávamos no aniversário de uma colega em comum. Algo familiar, já que ela, assim como a maioria dos jovens da nossa idade, já tinha filhos. Então, se quiséssemos fazer algo mais adulto, não seria na frente das crianças.
- Você vem, Maya? - Pergunta Diogo, me oferecendo carona.
- Vou, mas onde está a Bianca?
- Ela já foi.
- Então vamos.
Me levanto para ir embora e Daniel me questiona:
- Eu poderia te deixar em casa. Por que não me falou?
- Obrigada Daniel, mas eu não vou pra casa.
- Ah, já entendi tudo.
- Entendeu o que?
- Nada, você vai sair. É isso.
- Desculpe. Eu até chamaria você pra ir com a gente, mas é uma festa pra solteiros... - Digo, surrurando divertida pra ele. - A gente se fala!
Depois da festa, Daniel estava me esperando no portão quando cheguei em casa:
- Chegou tarde, mocinha... - Brinca.
- Que susto, Daniel! O que tá fazendo na rua uma hora dessas?
- Vim confirmar se a minha menina chegou em segurança.
- Eu tô muito bem, pode dormir sossegado. - Me rendo à brincadeira.
- Sabe que não pode me ignorar pra sempre, né?
- Dani, eu não quero confusões com a Vanessa. E você vai ser pai de novo, tem coisas pra pensar agora...
Daniel não me deixa terminar a frase e me abraça forte:
- Eu não sinto nada por ela, só estou acompanhando a gravidez enquanto posso estar aqui. Mas nós não estamos mais juntos, eu te juro.
- Isso não faz nenhum sentido pra mim, mas de qualquer forma, você precisa cuidar disso. E não serei eu que vou atrapalhar.
- Maya, faz amor comigo.
- Como é? Está louco?
- Desde aquele dia, que quase aconteceu, eu pensei que...
- Que não gostaria de ir embora sem antes completar o que começou, não é? - Irônica, o questiono.
- Não, não, por favor. Não é isso! É que... eu não quero que outra pessoa faça isso com você.
- É um pensamento muito egoísta, você não acha? Ainda mais vindo de alguém cuja namorada está grávida. Você devia se envergonhar de me pedir isso.
- Eu vou acabar com isso, o mais rápido que eu conseguir. Mas me promete, por favor, me promete. Promete que sua primeira vez será comigo.
- Daniel, vai embora por favor. Eu achei que você tinha mudado, mas está claramente chapado.
- Você acha que eu preciso usar alguma coisa pra dizer isso? Maya, é o que eu mais quero!
- Chega, Daniel! - E entro.
(Continua...)

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