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Pedra, papel, tesoura - Parte 10: "Sem tempo para despedidas"

Na vida, em geral, a gente nunca sabe quando um momento é uma despedida até que a pessoa de fato se vá. 

Foi assim quando eu perdi minha irmã. Eu não fazia ideia de que aquela nossa conversa sobre o garoto que eu conheci na adolescência seria a última. Eu também não sabia que a minha carona de volta pra casa seria com o amor da minha vida e que ele também iria meses depois sem saber disso. 

Eu poderia também citar aqui o dia em que eu abriria um link de alguma música que meu melhor amigo mandou pela última vez. E seus áudios contando sobre a reforma no apartamento seria a última coisa que me contaria. 

Eu também não sabia, mas o meu primeiro jantar de dia dos namorados também seria o último. E que depois, alguém me magoaria e tempos depois também iria embora deste plano.

Eu vivi o luto genuíno em todas essas ocasiões. Mas agora, apesar de estarmos longe apenas fisicamente, o sentimento era de que eu tivesse perdido o Daniel pra sempre. Eu não sabia quanto tempo levaria pra gente se ver de novo, podiam ser muitos anos, podiam ser alguns meses, podia ser nunca mais. E isso era tão ruim quanto a morte. 

Alguns dias depois do pedido inusitado de Daniel, as coisas seguiam um clima horrível. E a noite, quando cheguei, me deparei com todos aflitos em casa. Era sobre o Daniel, eu podia sentir que era. 

- O que aconteceu? Por que estão com essa cara? - Pergunto aos meus pais, que estão na sala, encarando um ao outro pra saber quem daria a notícia. 

- Filha, o Daniel... - Começou minha mãe.

- Ele foi preso hoje. - Terminou meu pai.

- Eu sei que você achou que ele tinha mudado e que não fazia mais essas coisas, mas ele estava no caminho errado e nós sabemos muito bem onde isso leva... Eu sinto muito se acreditou nele. 

- Não mãe, ele não mentiu! 

- A mãe dele está muito triste, você devia ir falar com ela. 

- Não filha, é melhor você se afastar um pouco dessa família. Vai ser melhor. - Aconselhou meu pai.

Eu estava confusa sobre o que fazer, já que a única coisa que eu queria era impossível de se realizar. Voltar no tempo e dizer que sim ao Daniel. Dizer que sim, eu também queria o mesmo que ele. Mas eu tinha medo, principalmente por nossa situação tão cheia de altos e baixos. Eu sei que aquele namoro com a Vanessa não era bem um namoro, eram duas pessoas dividindo a mesma casa, mas que sequer se beijavam em público. Mas eu não podia me envolver nisso ainda mais. 

Só que estar longe dele depois de tudo o que ele disse faz com que tudo se torne ainda mais difícil de lidar. Não tivemos tempo para despedidas, nem um beijo, um abraço ou um sorriso. E foi como ele quis: sem eu por perto quando acontecesse. Ao menos isso, eu involuntariamente cumpri. 


(Continua...)

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