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Pedra, papel, tesoura - Parte 8: "Um dia depois de ontem"

Eu estava animada para ver Daniel. As coisas pareciam ótimas entre nós. Somente uma coisa poderia estragar tudo, e eu confesso que não estava preparada para quando acontecesse. 

De qualquer forma, sabia que devíamos aproveitar cada minuto juntos em liberdade. Essa era seu lema de vida: fazer tudo o que tem vontade enquanto se pode fazer.

Ficamos uns dois ou três dias sem nos ver e eu já sentia falta. Sabia que poderia estar sendo preciptada, mas queria correr o risco. Fui até sua casa para vê-lo e animada, o abracei:

- Oi bonitão, o que houve com seu cabelo? 

- Oi Maya! 

- Que cara é essa? Trouxe umas coisas pra gente...

- Maya. - Me interrompe Daniel.

- Sim? 

- Nós precisamos conversar.

- O que aconteceu? - Pergunto, preocupada.

- Vanessa está grávida.

Fico sem reação por alguns instantes, tentando digerir o que havia acabado de ouvir de Daniel. Eu sabia que se tratava de um filho dele, eles terminaram fazia pouco tempo. Isso mudaria tudo. 

Que droga! Meu lance com o Daniel terminou antes mesmo que pudesse começar. Mas eu não podia ser uma garota egoísta, ela precisava dele e essa criança também. Eu ia ser forte o suficiente para me afastar, não haveria outro jeito.

- Então, isso quer dizer que...

- Não, eu não vou voltar com ela! Eu estou com você, Maya! Mas precisava te contar porque não sei como isso poderia te afetar. 

- Daniel, isso muda tudo. Você será pai, de novo, e terá que agir com ainda mais responsabilidade sobre isso! - Advirto-o.

- Eu não sinto mais nada pela Vanessa, ela já destruiu minha vida uma vez, não vou deixar ela fazer isso de novo! - Grita.

- Do que você está falando? Estamos falando do seu filho, por favor, seja mais compreensível sobre ele! 

- Eu amarei meu filho, e darei tudo o que ele precisar. Mas Maya, eu posso ser pego a qualquer momento e você sabe disso. Eu talvez nem tenha oportunidade de participar da vida do meu filho. Por que me torturar voltando com ela? 

- Para de dizer isso! 

- Você sabe que estou sendo realista. 

- Não, está sendo preciptado. Não importa quantos dias, meses ou anos você passe com seu filho. Isso fará diferença na vida dele de alguma forma.

- Você não entende. Eu não quero que meu filho tenha um pai presidiário! 

- Você pode conseguir um bom advogado e resolver isso. Uma coisa de cada vez! 

Eu tentava parecer racional aconselhando o cara que eu estava gostando a voltar com a ex-namorada, mas cada palavra que eu soltava, era um nó na garganta que eu sentia por saber estar contribuindo para perder meu bad boy. 

- Maya, eu não quero perder você! - Disse, aos prantos.

- Eu não posso fazer isso. Você precisa fazer a coisa certa! - Digo, acolhendo-o em um abraço.

- Você não sente nada por mim? 

- Não se trata de mim, Daniel. 

Ainda ficamos durante um tempo juntos em sua casa, e ambos estavam sem acreditar que tudo entre nós estava agora comprometido com seu passado recente. Foi muito difícil fazê-lo entender que a melhor decisão era a gente se afastar, mas era necessário. Eu teria que conviver com isso. 


(Continua...)

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