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Pedra, papel, tesoura -- Parte 7: "Somos você e eu"

Depois do que aconteceu, achei melhor me afastar de Daniel. Eu ainda não havia conseguido processar o que houve entre a gente. Bom, pelo menos foi o que eu tentei, mas era quase impossível não esbarrar com ele, dado o fato de que éramos vizinhos. Eu até procurava sair de casa em horários estratégicos, pra não ter que encarar o amigo gato que me beijou dias atrás, mas uma hora a gente ia ter que conversar...

Assim, como quem espera pelo momento certo, Daniel me surpreendeu na porta de casa bem na hora que eu estava saindo:

- Fugindo, mocinha? 

- O que ta fazendo aqui? - Perguntei assustada.

- Vim ver como vc está, já que não tem falado comigo. Está me evitando? 

- Não estou te evitando.

- Não? Bom, são oito horas agora. De acordo com as minhas contas, você está quatro dias atrasada. - Brinca.

- Desculpa, Daniel. Eu só não sei como agir depois daquilo...

- Ta falando do nosso beijo? 

- Também, é que... 

- Olha só, eu tenho uma ideia! 

- Qual?

- Vamos consertar isso mais tarde, eu te pego na faculdade.

- Daniel, não acho que seja uma boa ideia.

- Que foi? Não gostou daquela noite?

- Não é isso. Eu gostei, mas isso não pode mudar o que somos um para o outro. 

- E não vai. 

Simples assim, ele soltou e se foi. 

E como prometido, lá estava Daniel na portaria da faculdade me buscando pra mais uma aventura, que incluía matar aula e conhecer seus lugares preferidos. Traduzindo: onde ele costumeiramente ía quando estava chapado.

Parte de mim sabia que aquilo poderia se tornar um problema. Tudo bem que ele e a namorada já não estavam juntos, mas e se ela de repente quisesse voltar e ele aceitasse? E se ela quisesse ir a fundo pra saber se ele está com alguém? E se ela descobre que esse alguém sou eu? E se nossos pais descobrem que estamos juntos? Todos eles certamente pensariam que começamos isso antes mesmo que ele pudesse pensar em terminar o namoro. Eu passaria como uma destruidora de lares e eu não queria, de jeito nenhum, envergonhar a minha família com todo esse lance. 

Minha solução era simples, aproveitar essa voltinha pra esclarecer as coisas com o Daniel. Estava totalmente disposta a por um fim em sei lá o que tínhamos.

Quem achou que eu não seria capaz, acertou. 

Quando vi aqueles olhos verdes e sedutores de novo na minha frente, eu me derreti como uma jovenzinha com sua primeira paixão. 

É impossível não se apaixonar por ele. Por mais problemas que ele pudesse ter, ele continuava sendo o cara dos origamis pra mim, o cara em quem eu podia encontrar proteção. Ele me fazia sentir segura sobre todas as coisas, inclusive sobre estarmos juntos em meio a tanto caos que nos perseguia na época. 

E foi graças a essa confiança que eu tinha nele, que quase fiz algo do qual, nos dias de hoje, poderia estar arrependida. 

Estávamos em sua casa e as coisas esquentaram entre a gente:

- Não posso ficar aqui.

- Por que não? 

- É o quarto de vocês. Não me sinto bem sobre isso. 

- Esquece isso. Somos você e eu agora, Maya! 

- Daniel. Não.

- Tudo bem, tudo bem. Eu já entendi.

- Entendeu? 

- Sim, é a sua primeira vez, precisa ser especial. 

- Espera. O que te faz pensar que vai acontecer algo entre nós? 

- Eu simplesmente sei que vai.

- Como pode ter tanta certeza disso? 

- Não sei, acho que a minha autoestima é muito alta. - Diz, divertido.

- Eu não estaria tão confiante se fosse você... - Brinco.

- Ah, é? O que eu preciso fazer? Falar com seus pais? Me casar com você? Te levar flores? Eu faço o que for preciso.

Ambos nos rendemos à leveza que foi esse momento divertido entre nós. 


(Continua...)

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