No dia seguinte, ainda de madrugada, depois de uma bela dor de cabeça que me impediu de olhar o celular por horas, acordo com o barulho da campainha:
- Vitor? O que faz aqui? São três da manhã! - Perguntei surpresa ao vê-lo na porta.
- Qual é o seu problema? Eu te liguei mais de cinquenta vezes e você não me atendeu! Tem noção do quanto eu fiquei preocupado? - Berrou Vitor.
- Dá pra você parar de gritar? Eu tô com dor de cabeça!
- Claro, não é pra menos. Eu não sei o que te deu pra você beber daquele jeito, eu nunca te vi assim, nunca! - Continuou esbravejando.
- Já acabou? Posso voltar pra cama? - Disse, fazendo um esforço enorme para conseguir manter os olhos abertos.
- Eu pensei em pelo menos mil coisas que poderiam ter acontecido com você, e você acha graça nisso?
- Não estou achando graça, eu só quero me deitar. Por favor, Vitor, já chega de lição de moral. - Imploro.
- Quero conversar com você.
- Não é uma boa hora.
- Por quê? Você está com alguém? - Insinua, me empurrando da porta para entrar.
- Não tem ninguém comigo, não seja ridículo!
- Olha só, eu sei que você fez aquilo pra me provocar. Mas eu não vou deixar isso assim, Maya!
- Do que você tá falando, pelo amor de Deus?
- De você, na festa com aquela fantasia sexy e com aqueles caras.
- O que? Era uma festa à fantasia, como queria que eu fosse vestida? De camisa social, como você?
- Viu só? Está finalmente admitindo!
- Admitindo o que? - Perguntei, confusa.
- Que sua única intenção era me tirar do sério naquela festa! Você queria que todos te olhassem, você queria me deixar com raiva, queria me ver brigando com alguém por mexer com você, não é mesmo?
- Que absurdo, Vitor! Quando você vai entender que o mundo não gira ao seu redor? Nem tudo que as pessoas fazem é por sua causa!
- Eu não me importo com o que ninguém faz pra mim, apenas com você. Você tem o poder de me fazer perder a cabeça e sabe disso.
- Vitor, por favor, eu não quero discutir.
- Tudo bem, eu vou te deixar dormir. Eu tenho que protocolar algumas coisas ainda hoje, mas passo aqui mais tarde. Esteja pronta.
- Pronta? Para o que?
- Como "para o que"? É o meu aniversário, sempre passamos juntos.
- Hoje é seu aniversário?
- Não acredito que esqueceu. - Diz, em tom decepcionado.
- Não, eu... Quer dizer, eu não sei se é uma boa ideia, Vitor.
- Às seis. Esteja pronta!
(Continua...)

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