Meu celular toca:
- Estou em casa e estou te esperando. - É o que dizia Miguel, quando me ligou às sete da noite.
- O combinado não era às oito? - Perguntei.
- Eu mudei de ideia. A porta está aberta.
- Não posso ir agora.
- Achei que tivesse dito que queria consertar as coisas.
- Eu sei o que eu disse, mas estou em aula.
- Eu abriria mão de qualquer coisa pra te ver.
Cedi à pressão e acabei deixando a aula mais cedo. Eu não ia mesmo me concentrar com Miguel fazendo esse tipo de chantagem emocional comigo.
Cheguei na casa dele e já começamos com o pé esquerdo:
- Por que demorou tanto? - Perguntou ele, abrindo a porta.
- Eu precisei sair da aula e tomar um banho, foi só isso.
- Vem, entra.
Assim que pisei na casa de Miguel, sentia o clima pesado e estranho entre nós. Ele gostava de deixar claro que estava decepcionado comigo por não tê-lo deixado me beijar em nenhuma das vezes que ele tentou.
- Precisamos conversar, não é? - Perguntei, sem jeito.
- Na verdade, eu pensei em outra coisa, mas podemos conversar depois se quiser... - Disse, enquanto tocava meu rosto para me beijar.
- Espera! - Digo, enquanto me afasto. - Não quero que faça isso.
- Você está fazendo de novo! - Esbravejou.
- Fazendo o que?
- Por que droga não me deixa te beijar?
- A gente ainda está se conhecendo, eu não sei se quero que isso aconteça.
- Não foi tão cuidadosa assim com o Daniel.
- O que? O que está insinuando? - Pergunto, assustada.
- Achou que eu não soubesse?
- Do que você tá falando?
- Qual é, Maya? Vai se fazer de desentendida pra mim? Eu sei muito bem o que aconteceu entre vocês dois.
- Eu quero entender porque está falando dele!
- Porque eu não suporto mais o seu desprezo, e quando lembro que você já esteve com alguém como ele, só consigo pensar no que ele teve que fazer pra que você se interessasse. O que eu preciso fazer, Maya? Me fala!
- Você está se ouvindo? Está se referindo ao Daniel como se ele fosse uma péssima pessoa, e quer saber? Eu não quero falar sobre isso!
- O que você viu de tão especial nele? Anda, me fala! - Disse, segurando meu braço.
- Eu não tenho que falar sobre minha vida pra você! Me deixa! - E ameaço ir embora.
- Espera, Maya!
- O que você quer?
- Quero você, Maya. Quero ter a sorte que um dia ele teve de ter alguém como você do lado, de sentir como é te beijar, te tocar. - Disse, em tom baixo.
- Miguel, eu vou pra casa. Outra hora conversamos. - Disse, me virando para ir.
- Não, você não vai. Não dessa vez!
Nervoso com a situação, Miguel me puxou pelo braço e me beijou sem que eu pudesse reagir.
Empurrei-o e saí aos berros de sua casa:
- Nunca mais toque em mim de novo, entendeu?
(Continua...)

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