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Leo - Parte 4: "Por que não?"


No dia seguinte, procurei por Leo na cama, mas ele já não estava lá. 

Desci e o encontrei na cozinha, aparentemente fazendo algo para comer:

- Acordou cedo. - Iniciei a conversa. Leo, concentrado em não cortar a mão com a faca, não respondia. 

- Vai ficar aqui hoje? - Insisti. 

E mais uma vez, eu não tive nenhuma reação de sua parte.

- Leo, por que não me responde?

- Estou ocupado. - Se explicou.

- Então é isso, você vai me ignorar... Tudo bem, eu... Espera. Tem uma coisa que eu gostaria de te perguntar.

- O que?

- Você estava disposto a... Esquece. Digo, sem coragem para terminar. - Só para de me ignorar.

Leo não disse mais nada.

- Leo, eu tô falando com v...

- O que você quer? Não está vendo que estou ocupado? - Gritou, me interrompendo.

- Desculpa, eu vou lá fora. - Saí, aos prantos.

Eu só conseguia pensar no como aquilo me fazia sentir. Triste e rejeitada. Ele sequer queria conversar comigo. O que eu fiz de tão grave? Por que ele não foi até o fim? O que há de errado comigo? 

No restante do dia, organizei minhas coisas no quarto do Leo e avisei dona Mercedes que iria sair um pouco. Eu precisava ver minha amiga, precisava conversar com alguém, mesmo que fosse um segredo que eu havia estado com Leo, ela poderia pelo menos me levar pra sair ou fazer algo. 

Passei a tarde toda com a Carol e, ao escurecer, tivemos uma surpresinha. O carro do Leo estava lá fora me esperando para ir embora.

- Parece que vieram te buscar. - Disse Carol, olhando pela janela do quarto.

- Viu? É disso que eu tô falando. Ele parece um irmão mais velho que fica no meu pé. - Isso foi o que eu disse, mas por dentro, não entendia bem o motivo de ele estar ali, após ter me ignorado a manhã toda. - Eu juro que queria estar aqui com você, mas ele nunca iria deixar, e sabe que ele tem pontos com a minha irmã, né? - Eu estava me referindo ao fato de Leo ser padrinho dos meus dois sobrinhos. 

- É melhor você ir, ele não está com uma cara boa. - Me alertou Carol.

- Eu venho te ver antes de ir embora. - Me despedi.

- Por favor. 

Leo realmente estava com uma cara péssima. Foi o que constatei quando o vi enconstado no carro me esperando.

- O que veio fazer aqui? - Perguntei.

- Entra no carro.

Pensei, por algums segundos, em me recusar a fazer o que ele queria. Talvez isso fizesse com que ele falasse comigo. E foi o que eu fiz:

- Não, eu não vou com você. - Enfreitei-o.

- Você acha que eu tô brincando? Anda, entra no carro agora.

- Por que eu deveria te obedecer? 

- Você está sob minha responsabilidade. Eu te disse pra não vir aqui e você veio. Sabe o que acontece comigo se alguma coisa der errado com você? 

Eu deveria estar brava com ele, mas não conseguia. Eu conseguia ver em seus olhos o cuidado que ele tinha comigo. Apesar de estar bravo, seu olhar ainda era amoroso.

- Desculpa. - Disse, a fim de encerrar a conversa.

- Anda, entra.

Já dentro do carro com Leo, pensei em tocar no assunto da noite anterior (de novo). Não sabia se era uma boa ideia, mas eu precisava de uma explicação.

- Eu entendo que esteja preocupado, mas eu estava bem. A Carol é uma boa amiga. - O silêncio se estabelecia sobre nós a cada frase minha. - Acho que me deve uma explicação sobre ontem. Por que não falou mais nada? O que há de errado comigo? Você só tem me ignorado e eu não sei nem como consertar as coisas já que você não diz o que houve...

- Pode ficar quieta enquanto eu dirijo? - Disse Leo, pondo fim ao assunto. 

- Tudo bem. Eu prometo que não vou mais tocar nesse assunto. Eu não sei o que há com você ou comigo, mas vou respeitar isso. 

Leo, nervoso com minhas palavras, freia o carro desesperadamente e estaciona. 

- Você quer mesmo saber o que aconteceu? - Perguntou, impaciente.

- Sim, por favor. 

- Eu achei que era óbvio, mas pelo visto você não percebe a gravidade das coisas. 

- Do que você tá falando? 

- Você é uma garota de treze anos! Só isso já é motivo suficiente pra eu não me aproximar de você. Eu não tenho coragem de te fazer mal, não quero te fazer mal. Você não está certa sobre o que quer. 

- Você não está me fazendo mal! E eu sei exatamente o que eu quero.

- Maya, eu achei que você tivesse uma vida sexual ativa com seu ex-namorado, mas você me contou ontem que era virgem e isso muda tudo. Ser o primeiro homem na vida de uma mulher é algo muito sério e eu não gostaria de te ver acordando arrependida no dia seguinte.

- Do que você ta falando? Eu não me arrependeria!

- Não tem como você saber! - Grita Leo.

- Você nem me deu a oportunidade de tentar! Por que não deixa que eu decida o que é melhor pra mim? - Enfrento.

- Porque você é só uma garotinha que acha que sabe cuidar da própria vida, mas não sabe! Sua irmã te mataria se soubesse da festinha que fez com aquele bando de homem na casa dela. Com quantos deles você ficou? Você é uma irresponsável e se comporta como uma menina mimada! 

- Cala a boca! Você não sabe o que está dizendo! Chega de bancar minha babá, eu não preciso de uma! 

Encerramos a conversa e seguimos o restante do caminho em um absoluto silêncio. 

(Continua...)

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