Pular para o conteúdo principal

O cowboy interiorano - Parte 2 (e final, eu acho): "Nossa história termina onde sua loucura começa"

Eu esperava voltar aqui de outra maneira para continuar essa história. Mas cá entre nós, tava na cara que se tratava de um romance desses de verão, que terminam na mesma velocidade com que começam. 

Henrique queria que eu voltasse ao hotel, foi o que ele disse quando me ligou naquela tarde. Eu não me sentia confortável sobre isso, mas cedi.

Passamos a noite conversando e bebendo, ele, seu amigo e eu. Ahh! Eu não contei que ele estava na minha cidade com um amigo, e que esse amigo era um cara incrível e super divertido. Diferente de Henrique, Alex era extremamente extrovertido e ia de um assunto a outro com muita facilidade. 

Em algum momento da noite, sentados na cama do quarto enquanto jogávamos carta, Alex precisou correr pro seu quarto porque Henrique derrubou o copo todo de bebida na sua calça. Assim que ele saiu, Henrique correu para trancar a porta do quarto.

- Por que está trancando a porta? O Alex vai voltar logo. - Perguntei.

- Ele não vai voltar. - Disse Henrique.

Voltamos a nos sentar na cama e me preocupava o tanto que Henrique já estava bebendo. Resolvi que era hora de ir embora:

- Já está bem tarde. Eu já vou.

- Não vai esperar o jantar?

- Não sei se é uma boa ideia.

- Que estranho.

- O que? - Perguntei.

- Você querer ir embora logo depois que o Alex saiu.

- O que está insinuando? - Indaguei.

- Não estou insinuando, é o que constatei. Por acaso vai pro quarto dele agora? - Sugeriu, sarcástico, enquanto bebericava seu vinho.

- Chega Henrique, você já bebeu demais! Não vou considerar o que está dizendo. - Disse, tomando a taça de sua mão.

- Você acha que eu estou bêbado? Acha que não sei o que está acontecendo? - Gritou.

A partir daí, eu levei um susto que só de lembrar já me dá calafrios. Henrique pegou a taça de bebida que eu estava segurando e jogou no chão com muita força, quase acertando meu pé.

Em pânico, perguntei:

- Qual o seu problema? Por que fez isso? 

- Que tipo de vadia é você? 

- Você está louco? O que faz você pensar que pode falar assim comigo?

- Eu vi o jeito que você olha pra ele, vi o jeito que ele te come com os olhos. 

- Pra mim já deu. Não vou ficar aqui ouvindo você me acusar de coisas que não fiz e me tratando como se eu fosse uma qualquer. Abre essa porta! 

- Eu não vou abrir. Você não vai dormir com ele, se é o que estava planejando.

- Me deixa ir embora! Eu não quero brigar com você. - Insisti, impaciente.

- Não precisamos brigar. Tira a roupa e a gente faz algo mais divertido. 

- O que te faz pensar que chamar uma garota de vadia vai fazer com que ela durma com você?

- Sem drama. Anda, tira a roupa. 

- Vai se ferrar, Henrique! 

- Nunca, nunca mais na sua vida ouse falar comigo desse jeito. - Dizia Henrique, com os dedos encaixados no meu pescoço.

Consegui, com muito esforço, me afastar de Henrique. Ele estava fora de si. Assustada, ameacei:

- Se você não abrir essa porta agora, eu juro que vou fazer um escândalo e vou ligar pra polícia. 

- Você não vai ver o Alex! - Esbravejava.

- Você não pode me prender aqui! - Gritei de volta.

- Você duvida? - Perguntou, cínico.

Eu senti muito medo, não reconhecia o Henrique. Por mais que tivéssemos nos conhecido há pouco tempo, eu jamais poderia imaginar que ele se transformaria nessa pessoa quando bêbado. É incrívelmente assustador o que a bebida faz com algumas pessoas.

Seus comandos eram ameaçadores e debochados: "Tira logo esse p***a de roupa!", "Cadê o Alex agora?". Eu me senti impotente, gritar pelo Alex seria perda de tempo, já que seu quarto era longe de onde estávamos. Aguentei firme enquanto Henrique tentava me segurar dentro do quarto. 

Até que meus gritos chamaram atenção do segurança do hotel, que fica rondando o jardim durante a noite:

- Ta tudo bem aí, senhor Henrique? - Batia na porta.

- Sim, ta tudo bem. - Respondia enquanto tapava minha boca. 

- O jantar que o senhor pediu já chegou.

- Tudo bem, eu já vou buscar.

- Estou com ele aqui. 

- Droga! - Sussurrou. - Você fica aqui, quietinha. - Dizia pra mim.

Óbvio que não obedeci. Aproveitei a oportunidade para ir embora. 


(Continua...)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ginger - Parte 4: "Menina má"

  Foi desafiador trabalhar com tanta dor de cabeça. Meu único pensamento era chegar logo em casa, ficar no mínimo trinta minutos no banho e me esparramar na minha cama. E foi o que fiz quando cheguei.  Assim que saí do banho, a campainha tocou. Era uma entrega. Uma caixa branca e cintilante, muito bonita, com um laço feito à mão, um tanto quanto discreto. Não havia remetente, não era meu aniversário, nenhuma data importante... Quem, afinal, me mandaria um presente sem nenhum motivo?  Fiquei surpresa ao abrir a caixa e ler o bilhete que dizia: "Quero que use isto hoje a noite!". Claro, era do Vitor.  Na mesma hora, liguei para ele: - Não quero que fique me mandando presentes! - Disse, brava ao telefone. - Abra a porta.  Inacreditável. Vitor já estava me esperando na porta.  - O que foi aquilo? - Confrontei-o. - Eu espero que esteja na moda sair de roupão, porque não temos muito tempo. - Disse ele, brincando com o fato de eu não ter me trocado. - O que faz aq...

Pedra, papel, tesoura - MIGUEL - Parte 5: "Na coleira"

Miguel parecia ter acumulado uma vontade incontrolável de fazer o que estava prestes a fazer. Em um impulso aparentemente motivado, se aproximou de mim, segurou minhas pernas e me colocou em cima da mesa. Eu resistia, mas ele me beijava intenso e não me dava sequer um segundo para pedir que ele parasse.  Eu queria poder dizer que estava bem e que estava gostando de estar com ele, mas ainda estava machucada com o que soube sobre Daniel, meu pensamento estava longe e eu não conseguia estar totalmente presente naquele momento. A verdade é que eu só pensava no quanto gostaria de estar vivendo aquilo com ele. Miguel era incansável e parecia não desistir de tentar me conquistar. E eu confesso que não fazia esforço algum para isso dar certo. Com o tempo, ele notou minha frieza e isso era motivo o bastante para que ele brigasse diariamente comigo. Eu passava muito tempo com os meus amigos antes de termos algo, e ele estava disposto a tirar isso de mim. Frases como: "Eu não vou deixar uma ...

Carta 4 - "Atuando por um final feliz"

As pessoas estão acostumadas a me chamar de fria, mas elas não viram os trechos que escrevi tentando fazer uma música pra você. Elas não me viram enquanto eu repetia o DVD do John Mayer, feliz por na noite passada você ter acertado ao colocar "Free Fallin'" pra tocar no seu celular sem imaginar que é a música que mais combina com você. Elas também não viram sua sessão de fotos no quarto, aquela que pedi mil vezes pra você topar fazer, só porque eu descobri uma pose em que você ficava absurdamente bonito mostrando suas tatuagens. Uma pessoa fria não seria tão observadora... E sabe o que mais? Elas não viram o quanto de mim quis chorar quando você disse que logo iria embora. Eu sei que estou acostumada a ficar sem você, e que Deus continua sendo bom em nos permitir viver o que queríamos, e eu tento, eu juro que tento imaginar uma vida em que tudo dá certo pra nós, como você sempre diz. "A gente vai poder se ver mais vezes, eu não vou deixar de vir aqui, acredita em mim...