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Leo - Parte 2: "Passado que não morre"


Assim que deixamos a casa da minha irmã, Leo pegou minha mochila e, confuso, perguntou:

- Não acredito que suas férias cabem nessa mochila. Onde está o restante das suas coisas?

- Não estou levando tudo, venho buscar o resto depois. - Respondi.

- Eu acho que você ainda não entendeu a situação. Não vai ficar transitando entre minha casa e aqui. Então a não ser que queira ficar muito encrencada com a sua irmã, é melhor pegar tudo o que tem e vir comigo.

- Vai me prender na sua casa? - Perguntei, irônica.

- É o que pretendo.

Ignorei a brincadeira e entrei para pegar as demais coisas. 

- Meias, meus CD's, secador de cabelo e todos os meus sutiãs. Será que eu esqueci de alguma coisa? - Brinquei. - Ah, claro. Meu ursinho de pelúcia, porque afinal eu tenho treze anos. Não, espera! Eu não tenho um ursinho de pelúcia! Como será que eu dormi desprotegida durante todo esse tempo?

- Vai precisar de mais que um ursinho pra te proteger quando sua irmã souber o que houve aqui. 

- Está falando da noite passada? A gente já limpou tudo.

- Não, princesinha. Eu estou falando do que você e seu namorado fizeram aqui desde que ela foi embora.

- O que? Do que você tá falando? Nós não fizemos nada! Eu juro, não aconteceu nada! - Me justifico, desesperada.

- Em quem acha que ela vai acreditar? - Provoca.

- Por que está fazendo isso? Por que quer tanto me prejudicar?

- Eu só estou protegendo você.

Paro por um instante para digerir tudo que eu ouvi e percebo que ele está realmente falando sério. O que deixa tudo um tanto quanto preocupante. Mal posso acreditar que ele mentiria para a Paloma se eu não cedesse aos seus caprichos.

Logo tenho meus pensamentos interrompidos:

- Onde estão as chaves? - Ele pergunta.

- Estão guardadas.

- Então me entregue. - Pede, esticando a mão direita para a minha direção.

- O que? Não, eu não vou te entregar as chaves!

- As chaves, agora! - Grita Leo.

- Leo, por favor...

- As chaves e sua irmã nunca vai saber o que aconteceu aqui.

Acabo cedendo e entregando as chaves a ele.

Chegando na chácara, quase não reconheço o lugar, há anos eu não frequentava a casa de seus pais.

- As coisas mudaram mesmo por aqui. - Digo, deslumbrada com o como aquele lugar estava lindo.

- Mãe, lembra da Maya, irmã da Paloma? - Perguntava Leo à senhora Mercedes  que vinha de dentro da casa principal com roupas tão delicadas quanto à expressão acolhedora em seu rosto. 

- Claro que me lembro. Ela era tão pequena quando vinha pra cá e subia nas árvores para pegar...

- Mangas. - Completei. - Como vai, dona Mercedes? - Cumprimentei-a.

- Estou bem, querida. Você está tão crescida, está uma linda garota! 

- Muito obrigada.

- Mãe, a Maya vai ficar com a gente. A Paloma teve que ir visitar os pais às pressas e me pediu para cuidar dela enquanto isso. - Nos interrompe Leo.

- Tudo bem, filho. O que há com seus pais, Maya? - Perguntou, preocupada.

E antes que eu dissesse alguma besteira, Leo tomou as rédeas da situação:

- Eles estão bem. É que Paloma está grávida. Seu médico é de lá, e ela não quis estragar as férias da irmãzinha mais nova. Não é, Maya?

- Sim. - Confirmei, desconcertada.

- Bom, ela pode ficar com o seu quarto, já que não fica mais em casa.

- Obrigado, mãe.

- Sinta-se à vontade, Maya. É muito bom te ver de novo. - Disse a senhora Mercedes enquanto se retirava.

Brava, questionei Leo:

- Por que mentiu pra sua mãe?

- Queria que eu dissesse a verdade? Que eu descobri que você estava dormindo com seu namorado na casa da sua irmã enquanto ela estava fora?

- Eu não estava dormindo com ele! - Esbravejei.

- Tem razão. Estava trepando.

- Você é um idiota!

- Anda, vamos pro quarto. - Desconversava, enquanto subia com as minhas coisas.

- Então é aqui que costuma ficar? - Perguntei.

- Eu ainda venho pra cá às vezes.

- É, dá pra notar. - Disse, enquanto analisava seus vestígios ainda no quarto: bonés e jaquetas por toda parte. 

- Minha mãe vai te trazer algumas cobertas. Faz muito frio aqui durante a noite.

- Espera, aonde você vai?

- Eu não moro aqui, esqueceu?

- E vai me deixar sozinha? 

- Você não está sozinha. Minha mãe está em casa, você vai ficar bem.

- Leo, espera! 

- Que foi?

- Você volta pra cá hoje?

- O que vou fazer aqui? Você está com o meu quarto, não tenho onde ficar.

- Pode ao menos vir para o jantar?

- Só se você implorar. - Brinca.

- Está louco? Eu não vou implorar! 

- É claro que não. É muito orgulhosa pra isso.

- Estou falando sério. - Pedi, rendida. - Não vou me sentir confortável aqui sem você.

- Está bem, eu volto mais tarde. - Disse, me dando um beijo na testa antes de sair.


(Continua...)

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