Assim que deixamos a casa da minha irmã, Leo pegou minha mochila e, confuso, perguntou:
- Não acredito que suas férias cabem nessa mochila. Onde está o restante das suas coisas?
- Não estou levando tudo, venho buscar o resto depois. - Respondi.
- Eu acho que você ainda não entendeu a situação. Não vai ficar transitando entre minha casa e aqui. Então a não ser que queira ficar muito encrencada com a sua irmã, é melhor pegar tudo o que tem e vir comigo.
- Vai me prender na sua casa? - Perguntei, irônica.
- É o que pretendo.
Ignorei a brincadeira e entrei para pegar as demais coisas.
- Meias, meus CD's, secador de cabelo e todos os meus sutiãs. Será que eu esqueci de alguma coisa? - Brinquei. - Ah, claro. Meu ursinho de pelúcia, porque afinal eu tenho treze anos. Não, espera! Eu não tenho um ursinho de pelúcia! Como será que eu dormi desprotegida durante todo esse tempo?
- Vai precisar de mais que um ursinho pra te proteger quando sua irmã souber o que houve aqui.
- Está falando da noite passada? A gente já limpou tudo.
- Não, princesinha. Eu estou falando do que você e seu namorado fizeram aqui desde que ela foi embora.
- O que? Do que você tá falando? Nós não fizemos nada! Eu juro, não aconteceu nada! - Me justifico, desesperada.
- Em quem acha que ela vai acreditar? - Provoca.
- Por que está fazendo isso? Por que quer tanto me prejudicar?
- Eu só estou protegendo você.
Paro por um instante para digerir tudo que eu ouvi e percebo que ele está realmente falando sério. O que deixa tudo um tanto quanto preocupante. Mal posso acreditar que ele mentiria para a Paloma se eu não cedesse aos seus caprichos.
Logo tenho meus pensamentos interrompidos:
- Onde estão as chaves? - Ele pergunta.
- Estão guardadas.
- Então me entregue. - Pede, esticando a mão direita para a minha direção.
- O que? Não, eu não vou te entregar as chaves!
- As chaves, agora! - Grita Leo.
- Leo, por favor...
- As chaves e sua irmã nunca vai saber o que aconteceu aqui.
Acabo cedendo e entregando as chaves a ele.
♡
Chegando na chácara, quase não reconheço o lugar, há anos eu não frequentava a casa de seus pais.
- As coisas mudaram mesmo por aqui. - Digo, deslumbrada com o como aquele lugar estava lindo.
- Mãe, lembra da Maya, irmã da Paloma? - Perguntava Leo à senhora Mercedes que vinha de dentro da casa principal com roupas tão delicadas quanto à expressão acolhedora em seu rosto.
- Claro que me lembro. Ela era tão pequena quando vinha pra cá e subia nas árvores para pegar...
- Mangas. - Completei. - Como vai, dona Mercedes? - Cumprimentei-a.
- Estou bem, querida. Você está tão crescida, está uma linda garota!
- Muito obrigada.
- Mãe, a Maya vai ficar com a gente. A Paloma teve que ir visitar os pais às pressas e me pediu para cuidar dela enquanto isso. - Nos interrompe Leo.
- Tudo bem, filho. O que há com seus pais, Maya? - Perguntou, preocupada.
E antes que eu dissesse alguma besteira, Leo tomou as rédeas da situação:
- Eles estão bem. É que Paloma está grávida. Seu médico é de lá, e ela não quis estragar as férias da irmãzinha mais nova. Não é, Maya?
- Sim. - Confirmei, desconcertada.
- Bom, ela pode ficar com o seu quarto, já que não fica mais em casa.
- Obrigado, mãe.
- Sinta-se à vontade, Maya. É muito bom te ver de novo. - Disse a senhora Mercedes enquanto se retirava.
Brava, questionei Leo:
- Por que mentiu pra sua mãe?
- Queria que eu dissesse a verdade? Que eu descobri que você estava dormindo com seu namorado na casa da sua irmã enquanto ela estava fora?
- Eu não estava dormindo com ele! - Esbravejei.
- Tem razão. Estava trepando.
- Você é um idiota!
- Anda, vamos pro quarto. - Desconversava, enquanto subia com as minhas coisas.
- Então é aqui que costuma ficar? - Perguntei.
- Eu ainda venho pra cá às vezes.
- É, dá pra notar. - Disse, enquanto analisava seus vestígios ainda no quarto: bonés e jaquetas por toda parte.
- Minha mãe vai te trazer algumas cobertas. Faz muito frio aqui durante a noite.
- Espera, aonde você vai?
- Eu não moro aqui, esqueceu?
- E vai me deixar sozinha?
- Você não está sozinha. Minha mãe está em casa, você vai ficar bem.
- Leo, espera!
- Que foi?
- Você volta pra cá hoje?
- O que vou fazer aqui? Você está com o meu quarto, não tenho onde ficar.
- Pode ao menos vir para o jantar?
- Só se você implorar. - Brinca.
- Está louco? Eu não vou implorar!
- É claro que não. É muito orgulhosa pra isso.
- Estou falando sério. - Pedi, rendida. - Não vou me sentir confortável aqui sem você.
- Está bem, eu volto mais tarde. - Disse, me dando um beijo na testa antes de sair.
(Continua...)

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