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Ninho certo, passarinho errado - Parte 5: "Quatro a um"

Ao chegar na tenda para o café da manhã, a impressão que tenho é de que todos os olhares estão sobre mim. Há grupinhos cochichando e dando risadas altas, e é notável que Kevin parece se divertir com isso:

- Por que demorou tanto? - Ele pergunta.

- O que há com todos? Por que estão nos olhando? - Devolvo.

- Bom, você está linda. É impossível não olhar pra você. 

- Falo sério.

- Eu também. Mas à essa altura, Ana já deve ter contado pra todos o que aconteceu.

- Kevin, o que aconteceu?

- Não se lembra? 

- Não de tudo. Me conta, por favor. 

- Ah Maya... O que posso dizer é que foi incrível. E quero que aconteça mais vezes.

- A gente...? - Pergunto.

- Se a gente transou? Sim, é óbvio.

- Como eu posso não me lembrar disso? 

- Você ainda vai se lembrar, só estava um pouco tonta.

- Não, eu não estava tonta! Quer dizer, eu estava, mas não a ponto de não saber o que estava fazendo. E eu posso garantir que não aconteceu nada, ou eu saberia! 

- É uma pena que queira pensar assim. 

Ouço, ao fundo, uma voz:

- Vem logo Kevin, já guardei um lugar pra vocês! - Grita Taíssa.

- Vem, vamos sentar com a minha irmã.

- Não sei se é uma boa ideia... - Resisto.

- Qual é Maya, o que você tem? 

- É melhor você ir, eu vou procurar a Ana.

- Ta legal, venha pra mesa depois. Você precisa mesmo se alimentar. - Diz, aos risos.

Saio determinada a encontrar Ana e esclarecer as coisas. Não acredito que ela tenha dito pra festa toda que eu estive com o Kevin. Ela seria uma péssima amiga se o fizesse. 

Antes de encontrar com Ana, escuto em alto e bom som a seguinte conversa:

- Eu duvido que o Kevin tenha dado sequer um selinho nela. Ela jamais daria bola pra um cara como ele! - Esse era o Teo, irmão do Kevin, conversando com alguns meninos da festa

- Mas acharam camisinha no chão do quarto onde eles dormiram. - Opinava o outro.

Foi aí que entendi que todos estavam falando sobre mim. E até a primeira discussão de casal da festa acontecer, eu ainda era o assunto do domingo. 

Dominada pela raiva, procurei por Ana, até encontrá-la em uma das mesas dividindo uma uva com seu par romântico.

- Qual é o seu problema? Quem te deu o direito de falar da minha vida pra outras pessoas? - Questiono Ana.

- Ta falando do que, Maya?

- Do fato de todos neste lugar estarem comentando sobre mim e Kevin.

- Eu não tenho nada a ver com isso. 

- Só você sabia! Quer dizer, você e seu namorado. 

- Maya, está se ouvindo? Você está tão cega que é incapaz de pensar na possibilidade de o próprio Kevin ter contado sobre vocês! Eu te disse que ele faria isso, não entendo porque está surpresa.

- Não, não. Ele não fez isso! - Nego, incrédula.

- Já conversou com ele? 

- Eu preciso de uma bebida...

- Maya, vai com calma. Já viu o que aconteceu por beber demais... - Me alerta.

Ignorando o conselho, saio de perto de Ana e procuro por bebidas já pela manhã. Fujo de Kevin o máximo que posso, mas ele parece me perseguir o tempo todo:

- Hey, hey, é melhor me dar isso. - Diz, pegando o copo da minha mão. Você já parece bem animada pra gente...

- Kevin, eu preciso me sentar. - Interrompo, me apoiando nele.

- Tudo bem, eu cuido disso. Vamos pro seu quarto. 

(Continua...)

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