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Ninho certo, passarinho errado - Parte 2: "Um a um"


- Você demorou!

- Quem está aí? - Perguntei, confusa.

- Anda, não podemos ficar aqui no corredor. - Disse a voz, me puxando para algum lugar.

- É você, Kevin? 

- Quem mais poderia ser? 

- O que está fazendo aqui? - Indaguei-o.

- Você é engraçada. - Ri, enquanto abre a porta. 

- Onde estamos? 

- Shhhhh, a gente vai ter que sussurrar, esse é o quarto da minha prima. 

- O quê? O que você está fazendo aqui? - Perguntei novamente.

- O que NÓS estamos fazendo aqui, mocinha... - Disse, enquanto se encostava na parede e me beijava. 

- Espera, eu não tô muito bem... - Disse, dando dois passos para trás.

- Como não? Está conversando! - Me interrogou, enquanto me puxava de volta.

- É sério, eu preciso sair daqui.

- Você vai ficar melhor quando se deitar, vem... - Disse, me deitando na cama. 

- Eu não quero me deitar! 

- Prefere que façamos isso em pé?

- Do que tá falando?

- Qual é o seu problema? Está tão bêbada assim? 

- Eu não estou bêb... - Tentei dizer, quando fui traída pelas minhas pernas ao levantar.

- Nossa, você fica linda assim ajoelhada. 

- Isso não tem graça, me ajuda a levantar. - Pedi, segurando sua mão. 

Kevin soltou a minha mão e eu me apavorei quando, com a pouca luz que vinha da janela, vi ele desabotoando sua calça. Eu estava tonta demais para me levantar e repreendê-lo, então ele segurou firme nos meus cabelos, levantando meu rosto:

- Olhe para mim! - Ele sussurava. 

- Se acha que vou fazer o que está pensando, é melhor esquecer!

- Isso é só pra gente começar, Maya. Anda, não temos muito tempo!

- Eu não vou fazer isso!

- Você não vai sair daqui sem uma lembrança minha! - Disse, enquanto forçava seu membro na minha boca.

Eu estava muito tonta e incapaz de me manter sobre meus joelhos. Com a força que Kevin fazia, eu acabei me desequilibrando e caindo lentamente sobre seus pés. 

- Kevin, não dá. Eu não tô nada bem.

Ainda podia sentir as mãos de Kevin me levantando pelos cabelos, quando ele soltou:

- Levanta e termina isso, Maya! 

- Eu não consigo... Preciso me deitar.

Impaciente, Kevin gritou:

- Você vai terminar o que começou! 

Senti os dedos de Kevin cravando fortemente nos meus cabelos e me fazendo levantar.

- Você tá me machucando! 

E a partir daí eu tenho vagas lembranças. Eu estava deitada e em um dado momento, senti Kevin desamarrando minha blusa e me beijando cada vez mais intenso. Por diversas vezes, ele tapou a minha boca com a mão e pedia que eu ficasse "quietinha". 

- O que tá fazendo, Kevin? Sai de cima de mim!

- Shhhh, não grita! Alguém pode ouvir a gente e estragar tudo!

- Se não sair de cima de mim agora, eu vou gritar! - Ameacei.

- Quer que eu te dê motivos pra isso?

- Sai de cima de mim! - Eu gritava.

E isso é tudo que eu lembro. Na verdade também me lembro de alguém abrindo a porta e nos vendo ali, expostos naquela cama. Era a prima do Kevin, dona do quarto, que também tinha a chave. Ela gritava muito, mandava ele sair do quarto dela e ir embora. Kevin soltou:

- Vamos saber se a Maya quer que eu vá embora... - Disse, em tom de deboche. 

- Ela não está em condições de decidir nada! Anda, sai do meu quarto! 

- Você é patética, Ana! Está nervosa porque seu namorado não está bêbado o suficiente pra fazerem o mesmo! 

- Cala a boca, seu nojento! 

Com muito esforço e discussão, Ana conseguiu tirar Kevin do quarto. 

- Você está bem? - Perguntou ela.

- Sim, eu tô bem. Mas tô envergonhada, não sei o que deu em mim. - Respondi, levantando da cama. 

- Calma, você não tá bem. Vou chamar alguém pra me ajudar a te levar pro outro quarto. Lá vai ficar mais à vontade e descansar. 

Como uma boa amiga que é, Ana chamou o seu namorado e, juntos, eles me levaram pro quarto onde eu iria dormir. Pegou uma coberta quente e me desejou boa noite:

- Boa noite, Maya! Conversaremos quando acordar.

Que droga, eu parecia uma criança levando bronca da irmã mais velha! 


(Continua...)

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