- Bom dia, Maya! - Diz Kevin sorrindo, aparentando estar ainda com muito sono.
- Por que ainda está aqui? Onde está minha blusa? Por que estou sem ela?
- Calma, são muitas perguntas!
- É melhor você ir.
- Espera, vai me dispensar assim, depois de uma noite dessas?
- Você ficou louco? Tá falando de que?
- De nós. Você é incrível! - Diz, me abraçando gentilmente.
- Eu não sei do que você tá falando. Pode me dizer?
- Vou deixar que você mesma se lembre. - E se levanta. - Anda, vamos lá pra fora antes que sintam nossa falta.
- Pode ir na frente, vou tomar um banho antes.
- Eu posso te esperar.
- Não, eu vejo você lá fora.
- Já entendi, quer ficar sozinha...
- Sim.
- Tudo bem, nos falamos depois.
Quando Kevin sai do quarto, corro para o banheiro para examinar meu corpo. Eu realmente fiz algo com ele? Como eu poderia não me lembrar disso?
Eu estou toda dolorida, e eu já nem sei se é por causa da bebida, ou se algo mais aconteceu. Como eu me esqueceria de tudo assim? Não é possível que eu não me lembre de nada.
- Maya! - Ouço, algum tempo depois, me chamarem na porta.
Saio do banho rapidamente e atendo:
- Ana!
- Temos muito o que conversar! - Diz Ana, entrando abruptamente no quarto. - Vamos lá, pode começar! - E se senta na cama.
- Eu não tenho nada pra dizer Ana, só que estou envergonhada por ficar com Kevin no seu quarto. - Digo, rendida.
- É só isso? - Me questiona.
- Acho que sim.
- Quando iria me contar a verdade?
- Sobre...? - Pergunto, confusa.
- Sobre você ter dormido com o Kevin. - Acusa, segurando com certo nojo uma camisinha do chão, cobrindo a mão com minha blusa.
- O que é isso? - Pergunto, sem entender.
- Você tem noção do que fez? Dormiu com o cara mais escroto da face da Terra!
- Ana, eu não...
Antes que eu pudesse me defender, Ana me interrompe:
- Pelo menos vocês se protegeram!
- Não aconteceu nada, Ana! A gente só... Ele... - E me perco nas palavras.
- Ah, pode parar Maya! Não quero saber dos detalhes. Só quero te pedir uma coisa, tenha cuidado com ele.
- Do que você tá falando?
- Ele não vai deixar isso em segredo, disso eu tenho certeza. Sei que está resistente em me contar, mas ele não será tão cauteloso sobre isso. Vai por mim. - E se levanta para ir embora.
- Ana, espera!
- O que?
- Você acha mesmo que eu faria isso?
- Você está querendo convencer a si mesma de que não houve nada?
- Mas...
- Te vejo no café. Seja rápida! - E sai do quarto.
Como me preparar para o café se ainda estou tentando digerir o que acabou de acontecer? Com que cara eu vou me sentar com todos e agir naturalmente?
Eu tinha absoluta certeza de que nada havia acontecido entre mim e Kevin, mas depois dessa "prova", o que eu posso pensar de mim mesma? Uma tonta decepcionada que bebe a noite toda e acaba dormindo com o cara mais escroto de que se tem notícia... Que ótimo! Não há como ser pior... (ou há).
(Continua...)

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