Pular para o conteúdo principal

Ginger - Parte 1: "Lado Animal"

Para deixar claro desde o início, só usei o gif do ator Michael Fassbender porque descobri que ele tem o mesmo "tic" na barba que a pessoa que citarei neste relato.

Ahhh! E o título "Ginger" é apenas pelo fato de se tratar de uma pessoa ruiva. (Mais uma coincidência com o ator).

Bom, acho que agora vão conseguir visualizar a história em suas mentes criativas... Façam um esforço.

O relato em questão tem uma certa conexão com um dos relatos do blog, não vou dizer qual. Até porque a natureza desse blog é entreter e alertar, mas sem comprometer a identidade das pessoas envolvidas. Por isso também, como já dito aqui, as histórias possuem elementos fictícios, mas 90% de tudo que escrevo é real. Confiem em mim.

Ah! E é sempre bom lembrar: nem tudo que eu escrevo aqui é sobre mim! Eu posso estar escrevendo na primeira pessoa, mas as histórias e relatos são alguns meus e outros de histórias que eu já ouvi, de pessoas que me contam. Eu chamo todas as personagens femininas de "Maya" apenas para padronizar. Ok? 

Inclusive, se tiverem tido alguma experiência que acham que pode aparecer aqui no blog, me procurem no Instagram se quiserem contar. Quem sabe eu não escrevo sobre você! 

Agora sim, vamos ao relato.

Eu não sei o quanto vocês podem ser capazes de acreditar no poder de atração da mente. Sou muito cética em relação a isso. É que pra mim não faz sentido algum esse lance de enviar energias magnéticas (quem conhece o ator, vai entender o trocadilho) ao universo e isso voltar pra você de alguma forma. Balela. Acredito mais na ideia de agir em prol de alguma ambição e ela se tornar realidade porque você perseguiu isso. Mas o que aconteceu há algumas semamas me fez pensar que talvez possa existir alguma forma de atrairmos aquilo que queremos ou pensamos. Vou explicar...

Meu celular apitou e recebi de um amigo uma foto de uma página de livro que ele estava lendo. Nela, coisas como "você atrai o que pensa" estavam escritas. Como disse, besteira. Não dei a mínima.

Depois de meses sem abrir o telegram e tendo desativado as notificações, resolvi abrir um canal da minha série favorita, e BAM! Lá estava uma mensagem do Ginger. Ok, que ridículo, tenho que dar um nome a ele. Ele me mataria se soubesse que o chamo assim! Pois bem, vamos chamá-lo de Vitor. 

Vitor tinha uma mania irritante de chamar minha atenção com emojis, ele achava fofo, mas eu achava idiota esse jeito de se comunicar. Mas fato é que nos conhecíamos tão bem, a ponto de sabermos exatamente o que o outro estava pensando e também saber com precisão o que o outro queria dizer, ainda que através de um emoji. Era uma comunicação divertida, mas não ingênua. Pelo contrário, achava irritante, mas inteligente.

Vitor não morava na cidade, mas vinha com uma certa frequência pra cá. Ele tinha um emoji para dizer que estava por perto, e eu quase sempre ignorava porque não sabia bem o que responder. 

Nossa "história" é um tanto conturbada. Ele não se encaixa no posto de amor da minha vida, e também não tem lugar onde deixo os que não fazem diferença alguma. Ele, definitivamente, fez uma diferença danada, mas também me trouxe danos terríveis, então não dá pra dizer. 

Pra vocês entenderem melhor, Vitor e eu nunca tivemos um relacionamento, assim por dizer, ficávamos juntos às vezes, e isso perdurou por alguns anos. Eu sempre vi muita semelhança com um caso meu antigo, e comecei até a acreditar que o fator determinante para eu gostar de alguém seja não ver a pessoa com frequência. Porque era a segunda vez que eu me via envolvida em muitos níveis com alguém que não era nada meu, ou era, não sei. Acho que não. Talvez. Não, não mesmo.

Vitor apareceu pra mim como uma pessoa comum, conversamos com uma certa frequência por muitos meses, e após dois anos de insistência por parte dele, ficamos um pouco mais próximos. Eu estava recuperando um namoro já em ruínas, e Vitor veio até minha casa me desejar um despretensioso "feliz natal". Era de madrugada e fomos dar uma volta de carro pra ver a cidade em clima natalino, não fomos muito longe porque logo começou a chover. Vitor notou o meu colar e perguntou: 

- É um pássaro? - Ao passo que segurava meu pingente.

Eu senti algo estranho quando ele me tocou, não foi algo comum. Era como se isso despertasse algo em mim que eu nem lembrava que existia. Um medo, talvez.

- É, acho que sim. - Respondi.

Percebendo que me senti desconfortável com seu toque, me acalmou:

- Calma, não precisa ter medo.

- Eu não tenho.

Ele continuou:

- Não é um pássaro comum, é algo da aviação. 

- Uau, eu não sabia disso, mas gosto de aviação. Então, que bom. 

- Você é bem diferente.

- Diferente como?

- Em muitos aspectos. Pra começar, me fez esperar por dois anos pra estarmos aqui agora, assim. 

- Assim..?

- Próximos um do outro. Acho que já deixei claro mil vezes minhas intenções com você.

- Nós já conversamos sobre isso. 

- Tenho muita vontade de te beijar. - Disse, se aproximando do meu rosto.

- Vitor, eu tenho namorado. - Me afastei.

- E onde ele está agora? - Perguntou, irônico.

- Ele está com os filhos.

- Filhos... Eu também tenho um filho, mas sabe, eu estou aqui.

- Vamos nos ver amanhã, quer dizer, quando amanhecer.

- Me responde uma coisa. 

- O que?

- Por um acaso esse seu namorado te manda as músicas legais que eu mando? - Me perguntou, divertido.

Obviamente, ele não queria uma resposta, estava satisfeito por apenas me provocar com seu questionamento.

Planejávamos parar em algum lugar e conversar, mas por conta da chuva, ficamos presos no carro. Eu já estava com sono e acabei cochilando ali mesmo. Me lembro de acordar tendo a sensação de algo molhado tocar a minha boca. Era Vitor, tentando me beijar. Eu estava encostada em seu braço e logo me afastei:

- O que ta fazendo? 

- Nossa, você dormiu mesmo? 

- Eu... só...cochilei um pouco. 

- Desculpa, mas eu quero muito fazer isso. 

- Eu já te disse, eu tenho namorado. - Disse, ajeitando o cabelo no lugar.

- Mas você também quer me beijar.

- Está falando por mim? 

- Eu sei que quer.

- Não, você não sabe. 

- Então me diga que não quer.

- Vitor, eu deixei claro que a minha intenção com você era só amizade.

- Por enquanto.

- Olha, eu acho melhor eu ir embora. 

- Você sempre foge do assunto.

- Eu não estou fugindo, já está resolvido.

- Me avise quando isso acabar.

- "Isso"?

- Sim, isso que chama de namoro. 

Apenas sorri, irônica, e fomos embora.

Quase que como uma praga, uma semana depois o relacionamento com o então namorado, realmente foi por água abaixo. Já estávamos em crise, depois de termos viajado e ele ter se declarado pra mim. Eu não sentia o mesmo, ainda havia em mim resquícios de sentimento por outra pessoa, mas aceitei tentar. Enfim, não rolou. 

Eu mantive a amizade e as conversas com o Vitor, e também conversamos no dia do término. Ele poderia ter sido sarcástico e rir da situação, mas me acolheu e me ajudou a superar o assunto:

- Ele é um babaca por deixar você ir embora.

- Não fala assim... - O repreendi.

- Eu ainda estou na cidade, quer conversar sobre isso? 

- Eu vou ficar bem, obrigada.

- Anda, vamos dar uma volta. Vai se sentir melhor.

Nós saimos nesse dia e eu não me lembro muito bem como as coisas aconteceram, mas lembro de Vitor ter me beijado. Foi suave, intenso, sexy. Vitor tinha uma barba tão macia, e um cheiro misterioso, assim como ele era. Aliás, misterioso é a palavra certa. 

Nós estivemos juntos durante alguns anos, por algumas vezes, e sempre que nos encontrávamos era como se nada tivesse mudado entre nós. Era sempre suave, intenso, sexy e misterioso. Até que, depois de um bom tempo, comecei a perceber mudanças no comportamento do Vitor. Não que antes ele fosse meigo ou algo do tipo, mas ele havia se tornado alguém com uma personalidade um tanto quanto perturbadora. E aí entra o estrago que comentei acima.

Pra ser bem sincera, eu acho que essa personalidade do Vitor sempre existiu, eu é que nunca estive atenta, mas associei sua mudança a coisas já praticadas por ele comigo. 

Ele gostava de nos trancar no carro, e eu sempre achei que fosse medo de ser roubado ou algo assim, porque afinal, ele sempre demonstrou uma preocupação excessiva com quem passava na rua. Descobri, tempos depois, que isso tinha outro significado.

Vitor também gostava de algo específico sobre minha expressão facial enquanto me beijava mais quente ou quando insistia que eu fizesse "algo" nele. Era o que ele chamava de "cara de inocente", dizia que só eu tinha isso e que isso o deixava extremamente excit*** (Desculpem, eu sinto um tanto de vergonha de falar sobre isso, mas é necessário). 

Ele também se irritava quando eu postava fotos, dizia que aquilo o perturbava, que fazia com que ele pensasse mil coisas comigo. Dizia que eu não imaginava o efeito que eu tinha sobre ele e no quanto ele pensava em mim quando se satisfazia sozinho.

Tudo isso era perturbador de se saber, mas não tanto quanto foi descobrir, através dele, que eu despertava um "lado animal" nele. Foram essas as palavras que ele usou para se defender quando o questionei por ter pegado pesado comigo da última vez. Não estou falando de sexo, estou falando de aspereza, do emprego desnecessário de força comigo pelo simples fato de eu mandá-lo parar. 

Vitor tinha um misto de personalidades e uma delas lembrava o próprio Michael Fassbender em "Shame". Eu não sei vocês, mas quando assisti a esse filme, senti que o personagem principal tinha um afeto e ao mesmo tempo um desejo pela própria irmã. É como eu me sentia com o Vitor. Eu nunca soube se estava no lugar de uma pessoa que ele se importava ou no lugar de uma pessoa que ele desejava. Ou os dois. 

Isso ficou claro pra mim nos últimos anos em que nos vimos. Em uma vez, em específico, fomos a um lugar muito afastado, e lá, Vitor me sentou no banco da frente do carro, com a porta aberta, as minhas pernas para fora, abaixou sua calça e me pediu para fazer "aquilo" nele. Eu estava presa entre ele e o volante, tentei parar várias vezes e ele segurava meu cabelo com uma força desproporcional. Ao final, sujou todo o meu rosto e minha blusa. Fiquei muito perturbada com o que aconteceu. Me sentia suja, indigna, fiquei por muito tempo no banho em casa e esfolei a minha pele de tanto me esfregar para me "limpar" dele, tamanho o trauma. Me lembro de nesse dia ele ter apertado meu rosto com muita força e, cerrando os dentes, me mandava "parar com essa cara". Eu não sabia que essa era a tal da "cara de inocente" que ele falava. Mas era involuntário, eu não sabia quando e nem como eu fazia isso. Nesse dia, eu senti medo, senti nojo, repulsa e me senti uma qualquer.

Me afastei dele por um tempo, queria mesmo esquecer o que havia acontecido. Chegamos a discutir sobre o assunto e ele, em todas as vezes, tentava me convencer de que não havia nada de errado em fazer o que fazíamos, que éramos adultos e que sua personalidade "mais agressiva" era normal e eu tinha que me acostumar com isso. Eu optei por não vê-lo mais, ficamos meses sem nos falar, cheguei a bloqueá-lo dos meus contatos. Eu realmente precisava me limpar dele, era o que eu queria que acontecesse.

Eu estava bem sem ele, estava me sentindo eu mesma de volta, e eu achei que estivesse tudo bem pra ele também. Até que ele me mandou uma mensagem dizendo que sim, era fraco mesmo, e sentia saudade e uma vontade enorme de me ver de novo. E eu? Eu estava preocupada com o quanto imaginá-lo por perto de novo me fazia tremer por inteira. De alguma forma muito estranha, meu corpo reagia a ele, eu sentia falta dele, das nossas conversas e de me sentir envolvida de novo. Vitor tinha uma espécie de imã, que me atraía, me prendia, me encurralava e me fazia achar que tudo era normal, até mesmo o que não era.

Mas ele também tinha um lado fraternal, e eu posso provar...

Nos reencontramos depois desses meses e parecia que tudo era o mesmo entre nós. Vitor ainda se vestia como um playboy, ainda cuidava da barba ruiva com algum produto muito especial e ainda fazia a mesma cara de bravo, com as sobrancelhas arqueadas e com o lábio superior da boca levantado, como as de um cão raivoso. 

Dessa vez, o beijo de Vitor não foi nada suave, mas sim, foi intenso, sexy e misterioso, só que com uma pitada extra de saudade. Não havia gentileza em seus toques, era como se ele agora soltasse tudo o que guardou durante esses meses, esperando pela oportunidade da gente se ver de novo, tendo a certeza de que isso aconteceria.

De novo, estávamos trancados no carro. Vitor me beijava quente, sua respiração era ofegante e alta, ele se tocava o tempo todo e queria que eu compartilhasse do que ele estava fazendo. Vitor abaixava a alça do meu vestido quando eu, por um instante, me lembrei de quem ele era, ou de quem ele havia sido comigo da última vez, e neste momento, pensei em voltar atrás e desistir da ideia de estar junto dele de novo. Vitor parou, olhou fixo pra minha boca, sem piscar, mordia os lábios insistentemente, e veio pra cima de mim como se algo tivesse despertado o animal que ele dizia haver dentro dele. Nesse momento, eu senti medo, de novo. Vitor me apertava forte, sua respiração havia ficado mais alta e eu sentia seus dentes cravando em mim. Eu pedia, por favor, pra ele parar, que estava me machucando, mas ele sorria, sorria cínico. Eu imagino que com tudo o que estava acontecendo, minha expressão também devia ser de assustada, e como um predador, Vitor farejava o medo em mim, e algo nele se transfigurava. 

Gritei mais alto, pedi pra Vitor parar, mas parecia que quanto mais eu implorava pra que ele parasse com aquilo, mais ele se fortalecia para continuar. Passei a desferir-lhe tapas nos ombros, nos braços, tentei segurar suas mãos... Foi quando ele me segurou pelos pulsos, ergueu os meus braços, segurou minhas mãos com a mão esquerda, e com a direita me segurou pelos cabelos e sussurrou no meu ouvido: "Não faça força comigo!" 

Vitor, apenas com a mão direita, desabotoou sua calça. Ainda segurava minha mãos, quando desceu sua boxer e ficou ali, exposto na minha frente. Eu me tremia por inteira, e ele notou. Se posicionou de modo a envolver minhas pernas na sua cintura. Eu fazia muita força, me debatia e tentava empurrá-lo com toda força do meu próprio corpo, mas sem sucesso. Eu sabia, ia acontecer.

Comecei a chorar muito, e implorei pra ele não continuar com aquilo, que eu não queria. No início, ele não deu a mínima, só estava preocupado consigo mesmo, mas em seguida, como imaginei, vi que existia um pouco de misericórdia nele, e depois de tanto implorar, Vitor soltou minhas mãos e me empurrou no banco:

- Droga! - Disse, decepcionado consigo mesmo.

Ficamos alguns minutos em silêncio e eu ainda me recuperava do susto. Mas resolvi questioná-lo:

- O que aconteceu com você? 

- A culpa é toda sua. - Disse, sério.

- Minha? 

- É, sua! Olha só pra você! - Disse, segurando meu rosto. - Ingênua, sexy e virgem! Não faz ideia do que faz comigo. 

- Eu nunca te fiz nada, absolutamente nada! Nunca tentei nada, nunca te propus nada, nunca...

Me interrompe:

- Você não precisa fazer nada. É você, é algo com a cara que você faz, é o modo como você respira quando tá assustada. Eu não sei. Mas... Eu quero muito isso, muito, eu bato todos os dias pensando em você e na carinha de inocente que você faz quando ele tá na sua boca. 

- Chega! - O repreendo.

- Não, eu preciso falar! Eu quero ir até o final, quero fazer tudo com você, mas não posso traumatizar você.

- Do que você ta falando? 

- Você tem medo de mim. Eu vejo isso. Eu assusto você?

- Um pouco. - Confesso, sem jeito.

- Eu to em um dilema terrível, e você não percebe. Eu amo o fato de você ser essa garota virgem e doce, mas eu também quero ser a pessoa que vai acabar com isso.

- Vitor!

- Só que... eu não me controlo quando você está por perto. Eu sou capaz de fazer muitas coisas, coisas que você nem imagina...

- Não precisamos ter essa conversa.

- Como não? Uma hora eu vou fazer isso.

- Não vai acontecer, Vitor. Eu... não faria isso com alguém que não é o meu marido.

- De novo essa historinha...

- Não é história, é escolha. E você ta cansado de saber como eu penso.

- E o que penso? Não importa pra você?

- Sim, mas...

- Mas nada! Cansei disso, cansei de receber ordens e de ser limitado! - Gritou.

- Você pode ir embora quando quiser! - Desafiei.

- Eu não sou como você. Não resolvo as coisas indo embora. 

- Então o que sugere? 

- Que me deixe fazer o que eu quero, e que não tenha medo de mim.

- Não tenho medo de você, mas não quero que isso aconteça.

- Você respira medo, eu consigo notar. E sabe o que é pior? Eu não me abalo com isso.

- O que ta dizendo? 

- To dizendo que seu medo não me faz ter dó de você. 

- Não quero que tenha dó de mim.

- Maya, quando eu estiver dentro de você com toda a força que tenho, te conhecendo como te conheço, você vai implorar pra eu parar. E eu não vou.

- Está se ouvindo? Olha o tamanho da besteira que está dizendo! 

- Eu falo sério.

- Você jamais faria algo comigo sem a minha permissão.

- Você não parece me conhecer. Eu faria o que for pra me satisfazer. 

- Ta dizendo que não me respeitaria e passaria por cima do meu "não"?

- Seria o meu sonho.

- Já chega! Eu tô enjoada de tanta sujeira que sai da sua boca!

Vitor sequer se preocupava com o quanto ouvir aquelas coisas me deixava mal. Ele simplesmente despejava tudo em mim, como se dizer aquilo o aliviasse.

Eu já não sabia o que fazer com tantas revelações e descobertas sobre quem ele era. Eu ainda não tinha certeza, mas desconfiei, neste momento, que estava saindo com (é, lendo tudo agora parece fácil notar) um sádico. E isso nunca passou pela minha cabeça, mas depois desse dia, lembrei de várias situações onde Vitor apresentava sinais dessa personalidade. Me lembrei do lance de nos trancar no carro, das brigas por eu postar alguma foto, das mensagens que não me perguntavam "posso passar aí?", mas eram decisões de "vou passar aí, esteja pronta!", dos ataques quando eu demorava pra responder, das brigas por eu sair com meus amigos e não com ele. Uma vez ele teve a audácia de dizer que eu não dormia com ele porque já estava fazendo isso com os meus amigos, que nenhum deles era amigo e que eu só estava disfarçando pra ele, e que um dia ele faria comigo (vocês sabem o que) na frente de todos eles pra eles saberem que eu sou dele. 

Parecia tão fácil de notar e eu nunca consegui ter essa percepção até então.


(Continua...)







Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ginger - Parte 4: "Menina má"

  Foi desafiador trabalhar com tanta dor de cabeça. Meu único pensamento era chegar logo em casa, ficar no mínimo trinta minutos no banho e me esparramar na minha cama. E foi o que fiz quando cheguei.  Assim que saí do banho, a campainha tocou. Era uma entrega. Uma caixa branca e cintilante, muito bonita, com um laço feito à mão, um tanto quanto discreto. Não havia remetente, não era meu aniversário, nenhuma data importante... Quem, afinal, me mandaria um presente sem nenhum motivo?  Fiquei surpresa ao abrir a caixa e ler o bilhete que dizia: "Quero que use isto hoje a noite!". Claro, era do Vitor.  Na mesma hora, liguei para ele: - Não quero que fique me mandando presentes! - Disse, brava ao telefone. - Abra a porta.  Inacreditável. Vitor já estava me esperando na porta.  - O que foi aquilo? - Confrontei-o. - Eu espero que esteja na moda sair de roupão, porque não temos muito tempo. - Disse ele, brincando com o fato de eu não ter me trocado. - O que faz aq...

Pedra, papel, tesoura - MIGUEL - Parte 5: "Na coleira"

Miguel parecia ter acumulado uma vontade incontrolável de fazer o que estava prestes a fazer. Em um impulso aparentemente motivado, se aproximou de mim, segurou minhas pernas e me colocou em cima da mesa. Eu resistia, mas ele me beijava intenso e não me dava sequer um segundo para pedir que ele parasse.  Eu queria poder dizer que estava bem e que estava gostando de estar com ele, mas ainda estava machucada com o que soube sobre Daniel, meu pensamento estava longe e eu não conseguia estar totalmente presente naquele momento. A verdade é que eu só pensava no quanto gostaria de estar vivendo aquilo com ele. Miguel era incansável e parecia não desistir de tentar me conquistar. E eu confesso que não fazia esforço algum para isso dar certo. Com o tempo, ele notou minha frieza e isso era motivo o bastante para que ele brigasse diariamente comigo. Eu passava muito tempo com os meus amigos antes de termos algo, e ele estava disposto a tirar isso de mim. Frases como: "Eu não vou deixar uma ...

Carta 4 - "Atuando por um final feliz"

As pessoas estão acostumadas a me chamar de fria, mas elas não viram os trechos que escrevi tentando fazer uma música pra você. Elas não me viram enquanto eu repetia o DVD do John Mayer, feliz por na noite passada você ter acertado ao colocar "Free Fallin'" pra tocar no seu celular sem imaginar que é a música que mais combina com você. Elas também não viram sua sessão de fotos no quarto, aquela que pedi mil vezes pra você topar fazer, só porque eu descobri uma pose em que você ficava absurdamente bonito mostrando suas tatuagens. Uma pessoa fria não seria tão observadora... E sabe o que mais? Elas não viram o quanto de mim quis chorar quando você disse que logo iria embora. Eu sei que estou acostumada a ficar sem você, e que Deus continua sendo bom em nos permitir viver o que queríamos, e eu tento, eu juro que tento imaginar uma vida em que tudo dá certo pra nós, como você sempre diz. "A gente vai poder se ver mais vezes, eu não vou deixar de vir aqui, acredita em mim...