Não à toa, dei a esse blog o nome de diário. Adoro contar sobre minhas experiências como se ninguém fosse ter acesso, quando, na verdade, qualquer um pode ter.
Hoje vou contar sobre algo que tem me deixado muito inquieta. Por um momento do meu dia, ontem, pensei estar apaixonada. Na verdade, na verdade, isso se deu por um questionamento que fiz a mim mesma: "Por que eu estou assim enquanto falo dele?" É uma sensação parecida com a do primeiro dia de aula no ensino fundamental em uma escola nova, algo como o desespero de estar na fila para comprar um ingresso para o show da sua banda favorita, ganhar um discman aos doze, ou ver o menino mais gato da sala te pedindo uma caneta.
Para mim, essas são as sensações que chegam perto de explicar o que se apaixonar faz com nosso corpo; e foi exatamente o que senti quando subi aquela rua e vi aqueles olhos claros por trás dos óculos e uma mão segurando firmemente um facão de jardineiro limpando o que, para ele, considerava como velho para a paisagem. Me senti a própria Lady Chatterley visitando o casebre do Oliver e comendo suas flores com os olhos:
- Vai cortar todas elas? - Perguntei.
- Sim, é o que pretendo. - Respondeu ele, lançando a faca sobre as flores de maneira aparentemente muito profissional.
- São tão lindas, por que está fazendo isso? - questionei-o, inconformada.
- Não se preocupe, logo vão crescer de novo.
Finalmente consegui fazer com que ele parasse o que estava fazendo. Ele se levantou, para dar seriedade ao assunto, com todo aquele verde grudado no corpo sem camisa, posicionou a faca junto à perna, esfregou o nariz (diria que é um sinal de que ele estava incomodado), estava assustadoramente bonito. O conjunto composto por cabelo louro, jeans e um par de óculos de grau lhe conferiam graça e leveza, é verdade, mas as mãos sujas de terra e a faca (aquela faca...) me remetiam ao Adam Levine açougueiro no clipe de Animals...
Eu o conheço há alguns bons anos, já o ajudei com presentes e até fui colega de sua filha, mas nunca o vi como ontem. Nunca me aconteceu de ficar nervosa e desconfortável perto dele, e meu estômago só havia estado daquela forma na única vez em que me apaixonei, aos dezenove.
Jurei a mim mesma que eu só saberia que realmente gosto de alguém quando esse calafrio e todo esse misto de sensações que descrevi acontecessem de novo. Achei que pudesse ter sido apenas atração física, porque afinal... Caramba! Eu só acho alguém bonito, isso não significa NADA! Mas não consigo ignorar o modo como, sem esforço algum, apenas com uma frase que dizia: "Fique à vontade, pode pegar quantas quiser!", ele conseguiu se alojar em um triplex até então vazio da minha mente.
Pensar na ideia da gente se ver de novo e falar sobre qualquer coisa me causa arrepios internos e nada bem-vindos. Só o fato de eu planejar mentalmente como respondê-lo quando ele pedir para ver alguma foto do que eu fiz com as flores que ele me deu ocupa cerca de 1/3 do meu dia. Eu certamente não posso ignorar isso sem ter as respostas que quero!
(Créditos na imagem: filme "Lady Chatterley's Lover". Netflix, 2022.)

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