Meu celular toca: - Estou em casa e estou te esperando. - É o que dizia Miguel, quando me ligou às sete da noite. - O combinado não era às oito? - Perguntei. - Eu mudei de ideia. A porta está aberta. - Não posso ir agora. - Achei que tivesse dito que queria consertar as coisas. - Eu sei o que eu disse, mas estou em aula. - Eu abriria mão de qualquer coisa pra te ver. Cedi à pressão e acabei deixando a aula mais cedo. Eu não ia mesmo me concentrar com Miguel fazendo esse tipo de chantagem emocional comigo. Cheguei na casa dele e já começamos com o pé esquerdo: - Por que demorou tanto? - Perguntou ele, abrindo a porta. - Eu precisei sair da aula e tomar um banho, foi só isso. - Vem, entra. Assim que pisei na casa de Miguel, sentia o clima pesado e estranho entre nós. Ele gostava de deixar claro que estava decepcionado comigo por não tê-lo deixado me beijar em nenhuma das vezes que ele tentou. - Precisamos conversar, não é? - Perguntei, sem jeito. - Na verdade, eu pensei em out...