Há uma teoria de que boas moças se fazem com bons chicotes. Um homem me ensinou isso. Conveniente. Boas moças desconhecem outra forma de amor que não a da tortura em guardar-se pelo que não se sabe ao certo que as aguarda. Meninas se resguardam em si mesmas. Mais tarde são apresentadas ao bom e velho açoite do seu talvez bom e talvez velho predador. Não se sabe nada sobre o que virá. Não chore, não se mova, não sangre, cale-se. São as ordens. Boas meninas trancam seus monstros em cativeiro. Até que um dia decidem soltá-los. Ficam imóveis, enquanto os vê se desenterrarem da areia e correr para as águas. Elas sabem que todos eles estarão seguros no mar. Não há rede, nem lanças. Lá, o aço que prendia agora é o mesmo que liberta. A boa moça agora está pronta para livremente se acorrentar. (May) (Créditos nas imagens: filme "Lady Chatterley's Lover". Netflix, 2022.)