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Mostrando postagens de dezembro, 2022

Lady Chatterley's Lover

Há uma teoria de que boas moças se fazem com bons chicotes. Um homem me ensinou isso. Conveniente. Boas moças desconhecem outra forma de amor que não a da tortura em guardar-se pelo que não se sabe ao certo que as aguarda. Meninas se resguardam em si mesmas. Mais tarde são apresentadas ao bom e velho açoite do seu talvez bom e talvez velho predador. Não se sabe nada sobre o que virá. Não chore, não se mova, não sangre, cale-se. São as ordens. Boas meninas trancam seus monstros em cativeiro. Até que um dia decidem soltá-los. Ficam imóveis, enquanto os vê se desenterrarem da areia e correr para as águas. Elas sabem que todos eles estarão seguros no mar. Não há rede, nem lanças. Lá, o aço que prendia agora é o mesmo que liberta. A boa moça agora está pronta para livremente se acorrentar. (May) (Créditos nas imagens: filme "Lady Chatterley's Lover". Netflix, 2022.)

Relato: "Eu não sou sua filha" - Parte 1

Eu trabalhava em outro lugar quando conheci Pedro. Na verdade, na verdade, não o conheci, assim, por dizer, mas foi quando nos vimos pela primeira vez. Ele ia sempre ao meu local de trabalho, era amigo íntimo do meu chefe e, dia sim, dia não, me pedia alguns favores com tecnologia. Pedro nem era tão velho assim, só não gostava mesmo de celular e redes sociais. A prova disso foi ele só ter instalado o instagram no celular (na verdade, eu instalei) porque ele dizia não acreditar que um dia eu fui morena e queria que eu lhe provasse de todo jeito. Daí disse a ele que minhas fotos no aplicativo lhe confirmariam minhas palavras. A nossa conversa quase que diária já estava nesse ritmo. Era impossível não criar intimidade com quem se vê vinte e seis vezes por mês. Digo vinte e seis porque também não era difícil encontrá-lo nos jantares que ía com meu chefe. A impressão que eu tinha era a de que ele estava em todos os lugares, nas lanchonetes, nas lojas de sapatos e até mesmo nas delegacias, o...

Seguem os relatos!

Como prometido, dado o resultado da votação, postarei a parte 1 do relato "Eu não sou sua filha!"  Aproveitem!  Obs.: Para fins de não identificação das pessoas envolvidas nos relatos, todos os nomes serão modificados, e o nome da personagem feminina principal de todos eles será o mesmo: "Maya" Nada pessoal, gente! Só não vamos comprometer ninguém! ;)

Eu hoje

Eu sei, já criei e apaguei textos daqui que talvez devesse manter, mas meu espírito inquieto se incomodou com quem eu era ontem. Eu não sou mais essa pessoa.  Cheguei à conclusão de que mais difícil que se posicionar sobre algo é sustentar o que se diz. Ou talvez seja normal não sermos mais a mesma pessoa todos os dias. Acho que nisso sim eu me reconheço.  Quantas vezes já limpei da cara o famoso cuspe que mirei pra cima. (Ok, isso ficou bem nojento...) Mas falo sério. Um exemplo bobo foi ter dito um dia que jamais me interessaria por números e, adivinhem? Eu me peguei dias atrás pensando alto: "E se eu fizesse contabilidade?"  Prazer, essa sou eu. Hoje. Amanhã já não posso dizer.